Quando eu estava lá, queria socar o tio da portaria e fugir pulando o muro. E até fiz isso mesmo umas duas vezes - mas não soquei o tio, que isso dá cadeia. O diabo é que, agora que eu não tenho mais que ir na escola, ai que saudade que dá.
Tudo bem que eu preferia afundar num poço de piche do que voltar a ter aulas de matemática, mas ainda assim tenho nostalgia dos tempos escolares. São tantas coisas para ter saudade que acho que vou ranquear. Ó, lá vai mais uma lista... Tá ficando chato?
10) A cola
Confissão sem culpa: eu fui aluna nota 7. Não me esforçava mais que o estritamente necessário "pra passar" - e nem me arrependo. Colar na prova era meu Plano A, não B. Tem jeito mais emocionante de passar pelos bancos escolares?
9) A festa junina
Se você viu minha foto na seção Quem Somos e leu a legenda, deve achar que eu menti. Não, é verdade: eu abomino me vestir de caipira MESMO desde que saí das fraldas. Mas é que, na festa junina escolar, tinha o correio elegante... Eu era tímida, poxa, esse era o artifício que eu precisava!
8) A diretoria
Rememorando a espécie de criança que eu era, até que freqüentei pouco essa ante-sala do inferno. Mas é que a diretoria dá saudade, porque era o modo mais simples de ganhar status no colégio. Ser problemático e meio perigoso é pré-requisito pra ser popular, qualquer bebê sabe.
7) Os quitutes da cantina
Nada mais atraente do que salgadinhos dispostos em vitrines... Nas escolas onde passei, ainda existiam requintes de crueldade, como enroladinhos de presunto e queijo, coxinhas gigantes de frango, hot-dog no pão francês. Era soar o gongo e ir pro crime.
6) O recreio
A hora preferida de dez entre dez pirralhos, naturalmente. No meu tempo (ui...) era hora de criar caso com pessoas da 4aB, de pular elástico, de jogar basquete, de tomar coca-cola, de trocar figurinha, de fazer lição às pressas. Cabia tudo isso em 20 minutos, incrível.
5) A aula de educação artística
Essa era a melhor, já que eu adorava pintar, recortar, colar, colorir e tudo isso que envolve solventes e instrumentos cortantes. E essa era a aula em que levantar da cadeira e circular pela classe era permitido. Ok, na educação física também, mas eu tenho problemas com esportes.
4) Matar aula no banheiro
Era o modo mais simples de se sentir um verdadeiro bandido fugindo dos tiras. Fico pensando por que era tão bom passar 50 minutos espremida com as amigas em uma cabine minúscula falando por sussurros só pra não ter aula de química com uma professora que cheirava naftalina... Ah, lembrei.
3) O cheiro da prova
Mimeógrafo. As crianças de hoje nunca vão saber como essa engenhoca era idolatrada até uns (muitos) anos atrás. Receber uma prova impressa no mimeógrafo, cheirando álcool até, era uma delícia. Foi o mais perto que eu cheguei das drogas entre os sete e os doze anos.
2) Os lápis de cor novos
Já disse, eu era uma mini-pretensa-artista. Mas não era só eu que amava apreciar uma caixa de lápis de cor novinha. Todos os meus coleguinhas faziam disputa para ver quem teria a maior caixa - de 12 era pouco, de 24 era bom, de 36 era ótimo e mais que isso já era esnobação. Ah, nem existe tanta cor assim!
1) O dia do Playcenter
Quem conseguia dormir na véspera de ir no Playcenter? Para quem é de fora de São Paulo, explicações: esse é o parque de diversões que reinou durante décadas no imaginário dos colegiais. Ir no Playcenter significava, pela ordem: bagunçar no ônibus, bagunçar na fila de entrada, bagunçar no carrinho da montanha-russa, bagunçar no almoço, bagunçar na fila do Viking, bagunçar no ônibus. E depois passar mais 365 dias esperando o próximo Dia do Playcenter. Ô, saudade...