terça-feira, 3 de junho de 2003

Amigos de fé, safanões camaradas

Eles me causaram alguns hematomas feios. Eles me deixaram passar muita vergonha. Eles me tornaram uma garota meio estranha. Eles ainda fazem isso às vezes. Eles, você sabe... irmãos!

Sim, eu tenho um irmão e uma irmã. Ambos mais velhos, ambos mais espertos. Eles são um paradoxo, na verdade: ao mesmo tempo conseguem ser figuras bizarras e irmãos típicos, muito típicos.

Outro dia vi uma reportagem que dizia a coisa mais óbvia, mas que eu nunca tinha pensado: nossos irmãos são as pessoas que vão passar mais tempo de vida conosco (os amigos só vêm com a idade e os pais... bom, um dia eles vão descansar de nós em algum lugar tranqüilo que não é a Flórida).

Os meus irmãos são exemplos perfeitos do que essa gente faz com a sua vida. Foram eles que me deram prazeres viscerais de quando se é criança - roubar roupa no armário ao lado, transferir a culpa por qualquer evento de fim trágico, amargar castigo, fazer hora no banheiro só pra encher a paciência, brigar em altos brados.

Veja que típicos e paradoxais: minha irmã passava tardes me ensinando a arrumar a casa da Suzi, mas berrava comigo por usar as meias dela. Meu irmão me ensinou a trocar pneus de carro e me deu carona por anos a fio, mas uma vez me deixou amarrada numa cadeira no fundo do quintal por uma hora e meia só por diversão.

De tão típicos, eles devem estar em fúria agora porque eu decidi revelar parte da mitologia familiar. E olha que eu nem cheguei ainda na fase de abrir o bico sobre as nojeiras que fazíamos na mesa com o purê, as brigas no banco de trás da Caravan, as risadas absolutamente incontroláveis que aconteciam (sem motivo) depois que a gente apanhava (com motivo).

Mas irmão é pra isso mesmo: ficam bravos hoje, dão dois tabefes compreensivos na cabeça amanhã, esquecem tudo no outro dia. E se umas marcas roxas ficam na pele, vira quase uma recordação de família.

PS: Quem quiser contar passagens escabrosas dos seus próprios manos, sou toda ouvidos. Adoro essas revelações familiares de cunho estritamente vergonhoso! Se eu pude, vocês podem...

Fla Wonka às 02:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold