terça-feira, 3 de junho de 2003

Hora da merenda

Guarda-chuva, a princípio, é aquele objeto relativamente barato que protege nossos penteados quando São Pedro resolve lavar o piso lá de cima. Mas para aqueles felizardos que, como nós, cresceram nos anos 80, esse substantivo composto passa a ter um outro significado - digamos, mais alimentício - e, apesar de não ter utilidade em casos de garoas e tempestades, era bom pra danar.

Quem em sã consciência não se lembra do guarda-chuvinha de chocolate? O rei supremo dos saquinhos-surpresa daquelas festinhas de garagem onde os hits eram "Tô P da Vida", do Dominó, e "Harry Houdini", do Kon Kan? Pois esse quitute, tão presente em nossas vidinhas infantis daquela época, é o homenageado de hoje.

O tal era um chocolate em forma de guarda-chuva fechado (ou um cone bem fininho), enfiado em cima do palito de plástico que fazia as vezes do cabo. Ele era embalado com um papel alumínio bem safado, ilustrado e colorido. O desafio da brincadeira era tentar desembrulhar o doce de forma que ele saísse inteiro - tarefa pra lá de difícil, pois sempre ficava uma pontinha grudada no papel, e a gente tinha que abrir com a unha e chupar aquela parte, um horror.

Detalhe: o "chocolate" em si era péssimo, tinha gosto de cera e em nada lembrava uma barra da Garoto ou da Nestlé. Contudo, para quem teve a sorte de um dia gastar uma moeda da mesada com o guarda-chuvinha, o material era de primeira. Por quê? Era divertido, ué!

Outros clássicos da hora mais feliz da escola

5) Pastilhas Garoto
Essa pastilha de menta (ou hortelã?) da Garoto era uma de minhas bobagens favoritas durante a infância. Mas quando fui fazer vestibular, há alguns bons anos atrás, a tal era distribuída generosamente na porta da Fuvest por algum cursinho. Peguei trauma.

4) Cigarrinhos Pan
Como era bom viver numa década politicamente incorreta! Que criança de hoje em dia pode ter em mãos um maço de cigarros de chocolate? Agora o quitute tem um outro nome, para não incentivar o vício na garotada. Só sei que me entupi de cigarrinhos Pan e não me tornei uma fumante...

3) Chupeta caramelizada
A rainha da festa junina! O que eu vendi de unidades para ajudar a quadrilha da escola! O doce era mais doce que doce de batata doce, uma vez que era açúcar puro e um pouco de corante (cancerígeno, aposto). Os dentistas têm muito o que agradecer ao legado da chupeta!

2) Lanche do Fofão
Fofão era aquele ser bochechudo que, dizia ele, vinha de outro planeta. Ok, na verdade tratava-se do Patropi disfarçado, e os anos 80 eram seu reinado. A grife do personagem alcançou de cadernos a bonecos, de bombons a chicletes. O lanche, em si, nada mais era do que uma bolacha waffle.

1) Dadinho
Enquanto os cigarrinhos incentivaram o fumo, o dadinho fez a mesma coisa com a jogatina. Mas tudo bem, porque esse é o número 1 de nossos clássicos de comer. Nada era mais gostoso do que aquele quadradinho de doce de amendoim - só perdia para o inigualável guarda-chuvinha de chocolate.

Vivi Griswold às 08:37 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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