segunda-feira, 2 de junho de 2003

RG, por favor

Tem gente que sabe mesmo ser inconveniente. Quer um exemplo? No auge da discussão sobre a pedofilia ano passado, com escândalos envolvendo padres pipocando, eis que surge a excelentíssima Kelly sacudindo sua Key na TV e cantando aos quatro ventos que certo fulano era um babaca por não tê-la comido quando a garota contava tenros 11 anos de idade e mal devia fazer marquinha na areia.

Mas sejamos justos com Dona Chave: provar do, digamos, fruto mais-que-proibido sempre foi estofo para composições do bom e velho rock’n’roll.

E, algumas vezes, o tema escapava das partituras para a vida: o incendiário Jerry Lee Lewis ficou famoso não só por sua maneira peculiar, revolucionária e para lá de bacana de tocar um piano, mas também por ter desposado a prima de 13 aninhos.

Outros mantiveram o tema à la Lolita apenas nos acordes e versos – em alguns casos, e que versos! – que poderiam até mesmo deixar Dona Kelly ruborizada. E é sobre eles que segue a lista de hoje: as canções Kelly Chave. De cadeia.


5. I Saw Her Standing There, Beatles
John já abre cantando: "ela tinha só 17, você sabe o que eu quero dizer..." Pelo jeito, os quatro guapos de Liverpool não eram tão adeptos do bom-mocismo assim. Se bem que, com 17 anos, quem não dava uns amassinhos? Tá bem, eles estão perdoados!

4. Catholic School Girls Rule, Red Hot Chili Peppers
Bem, estes aí nunca foram exemplo de conduta – ainda bem! No era pré-FM da banda, Anthony Kieds e trupe cantavam honrosas menções às garotas de colégios católicos e suas, digamos, habilidades específicas – que decerto não eram recitar trechos da Bíblia ou dizer o nome de todos os livros do Velho Testamento.

3. My Heart Belongs to Daddy, Marilyn Monroe
Outras cantoras com beeem mais potência vocal que a de Marilyn gravaram este clássico do cancioneiro norte-americano, mas ninguém deu a medida perfeita de ingenuidade e sacanagem da loira platinada ao sussurrar "meu coração pertence ao papai". E não se trata uma canção dedicada pelas filhas aos seus progenitores...

2. I’m on Fire, Bruce Springsteen
"Ei, garotinha, seu pai está em casa? Ele saiu e a deixou sozinha? Hum, eu tenho um desejo malvado..." Uma música que começa assim nem precisa explicar mais nada. É o Humbert Humbert de guitarra!

1. Edge of the World, Faith No More
Especializado em bizarrices e toda sorte de coisas bem pouco ortodoxas, Mike Patton perguntava literalmente se "a garotinha quer docinho" e dizia que não importava a diferença de 40 anos entre os dois. Vindo dele, nem espanta muito.

Por fim, tenho uma menção honrosa para a incansável Maria da Graça Xuxa Meneghel. No álbum "Xou da Xuxa 3", a mulher que se intitulava apresentadora infantil (er... ela continua se intitulando) cantava uma das músicas mais estranhas que já vi.

Por Greyskull, She-Ra! Me apresenta pro He-Man! Seu irmãozinho é uma gracinha/ e eu sou todinha do bem!, gemia a moça, e por aí ia, até chamar o herói de "gato alto-astral" e pedir desculpas por ser "ousadinha".

Ok, o He-Man não era mais criança (e muito menos a Xuxa), mas, por Deus!, o cara era um desenho! E, ainda por cima, com claras referências gays. Aquele Pacato e o legging branco com bata rosa do príncipe Adam nunca me enganaram...

Clara McFly às 07:14 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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