sexta-feira, 23 de maio de 2003

Entrou por uma porta e saiu pela outra

Como prometi ontem, segue o fim da lista dos meus livros favoritos. Hoje, chegamos às quatro brochuras mais legais que li na pré-adolescência, aquela fasezinha pentelha onde você está menos definido que a imagem dos trailers que assisto no meu PC com conexão discada.

Esses livros me deram uma breve idéia de que eu não era a única idiota a, de repente, passar a ter um pouco de vergonha da minha família quando estava com os amigos e a esperar que alguma coisa surgisse em meu corpo rapidamente, para preencher um eventual primeiro sutiã.

Também jogaram um pouco de luz e humor no meu deprimente dia-a-dia quando eu pensava que era a única garota da classe que ainda não tinha beijado na boca e continuava gostando dos meus playmobils.

E embalaram as tardes que eu passava junto à minha inseparável amiga, a Roberta, com quem eu formava a dupla Clá-dos-Cabelos e Rô-dos-Pelinhos. Não me perguntem porquê.

Chega de confissões e memórias embaraçosas. Vamos às vias de fato!

"Aos Trancos e Relâmpagos", Vilma Arêas
A protagonista Verônica tinha mil idéias mirabolantes, era chegadíssima na avó, armava confusões em família e resistia à chegada da adolescência, se negando a fazer parte do que ela chamava de "clube das menstruadas". Impagável. O livro é da Scipione, mas a capa antiga, como a do exemplar que guardo a sete chaves em casa, é bem mais legal.

"De Repente Dá Certo", Ruth Rocha
Uma garota magrela enfrenta não só as transformações chatésimas da adolescência, mas também a separação dos pais, o novo namorado da mãe e o filho do dito cujo, um rapazinho a princípio muito pentelho, mas que… bem, não vou estragar. Li e reli incontáveis vezes, de um só tapa. Olha a carinha dele aqui.

"Rita Está Crescendo", Telma Guimarães Castro Andrade
Sou só eu ou esse livrinho despretensioso e cheio de humor era o máximo? Rita cresce, entre as particularidades de sua família pouco comum, e logo arranja um namoradinho, o Edgar. O livro rendeu uma série, que insisti em ler, mas nenhum tem a graça do primeiro. É da Editora Atual.

"A Hora do Amor, Álvaro Cardoso Gomes
Beto e Lúcia Helena protagonizam outras histórias do autor, mas os conheci primeiro por aqui. Este é o mais sério dos livros da lista e o único contado a partir do ponto de vista de um garoto, o instável Beto, cujo coraçãozinho é torturado depois que sua paixão, a bacana Lúcia Helena, começa a namorar outro cara. A FTD ainda edita o livro e você pode ver mais detalhes dele aqui.

Agora vou correr para reunir todos esses meus tesouros e verificar se as traças ainda não fizeram deles sua refeição principal…

Clara McFly às 06:22 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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