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Vá se enfurecer com o que interessa Ontem li uma notícia que me fez pensar (raro, né?). Dizia o artigo que "os antitabagistas se enfureceram com a atriz Nicole Kidman porque ela fumou um cigarro durante uma entrevista em Cannes". Vem cá: não tem nada mais enfurecedor acontecendo no momento? Eu não sou fumante nem nada - a bem da verdade, acho um saco ter que respirar aquela fumaça que trava minha garganta sem ter optado por ser adicta. Mas é que não entendo essa postura feudal de "vamos matar o mensageiro". A Nicole Kidman deve fumar tanto quanto outras milhares de pessoas desconhecidas. Os que criticaram a tragada da moça, no entanto, não devem andar pela rua batendo no ombro de fumantes civis dizendo que eles estão fazendo apologia ao cilindrinho cancerígeno. A pergunta é: por que eles não vão lá na porta da Philip Morris e a Souza Cruz dizer que fabricar cigarros é o problema real? E outra: se Nicole tivesse mandado ver em um trago de tequila em meio a tal entrevista, ia ter gente "se enfurecendo" assim? Não, arrisco dizer que só ia virar piada. Longe de mim afirmar que fumar não faz mal e dar aquela esfarrapada desculpa de que álcool causa os mesmos problemas mas não é combatido do mesmo jeito. E mais longe de mim ainda dizer que só se armou esse salseiro devido à garota ser atriz de Hollywood - até porque sou desvairada defensora de que celebridades merecem ser punidas do mesmo modo que o resto de nós, ilustres bocós. O caso é o peso que se dá ao negócio todo. A Dona Nicole nunca foi a público dizer que fumar é legal - pelo contrário, ela já declarou várias vezes que se esforça para parar, mas tem enorme dificuldade. E eu não sei lá no exterior, mas aqui no Brasil a coisa fica ainda mais paradoxal quando se trata de famosos fazendo coisas erradas, grandes e pequenas. Os Manoéis Carlos da tv cansam de escrever novelas que versam sobre os problemas de ser alcoólatra ou toxicômano (apesar daquela professora chapada da novela das oito não me convencer nem um pouco). Mas quando atores, cantores e afins matam pessoas na vida real porque estavam dirigindo bêbados ou em alta velocidade e compram armas e drogas de traficantes (e NÃO vão pra o xilindró por causa disso), daí nada acontece. Pior: eles vão infestar os programas dominicais fazendo cara de coitados dizendo como são perseguidos porque são famosos. Então fica assim: quando cada qual receber o castigo que merece por cometer crimes previstos em lei, a sociedade pode (e deve) pular de nível e passar a pegar no pé daqueles que infringem até os menores preceitos morais da vida civilizada. Mas daí vai ser bem difícil completar o horário vespertino de domingo na televisão. Fla Wonka às 03:00 PM |
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