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Xuxa, Gigi e o encurtamento de saias Saio de casa todos os dias por volta das 9h20 da manhã. Bom, eu poderia sair uns 15 minutos mais tarde, mas como tenho o costume de ligar a tv enquanto engulo o leitinho, preciso dar o fora exatamente nesse horário para não correr o risco de encontrar com a Xuxa. Eu sei, eu sei: ela não faz o tal "Mundo da Imaginação" para gente da minha idade, então eu não tenho que dar palpite. Mas é que não há como fingir que aquela saraivada de idiotices seja interessante para qualquer um, tenha a criatura tenros 28 anos como eu ou 36 meses como o público da manhã. O que me faz pensar sobre os programas para pequenos na televisão é lembrar do passado. Quando a mãe da Sasha iniciou carreira na finada Manchete, ela não era nada além da namorada do Pelé. Quem dava um baile com os pom-poms na época era a Gigi do Bambalalão. Lembram dela? Era uma senhorita com olhos gigantescos que usava um penacho pregado na cabeça. Gigi não fazia nada de especial, e por isso mesmo era nossa ídola. Ela tinha voz de travesseiro, mandava e desmandava naquele circo e já vestia sainhas de cetim, mas apenas dois dedos acima do joelho. Só que ninguém estava preparado para a chegada da Xuxa num disco voador. Ela potencializou tudo o que a Gigi fazia quando foi para a Rede Globo. Encurtou a saia até virar um cinto, platinou e escovou os cabelos como a Barbie, lançou LPs, espezinhou dois caras vestidos de insetos e promoveu o rascunho dos concursos de "loira do Tchan", a contratação de Paquitas. Gigi e seus fantoches caíram no limbo depois disso! Não adiantou nem o fato dela ser formada em Comunicações e Artes pela USP e ter anos de janela como diretora e produtora de tv. Da minha parte, acho que a moça que interagia com os bonecos na TV Cultura ainda sobrevive na memória de muitos. Justamente porque não levou a profissão de tele-babá às conseqüências mais terríveis - como falar com a molecada como se eles fossem retardados em vez de ser simplesmente uma doce contadora de histórias. Concluo com os versos do sapientíssimo grupo "Língua de Trapo", que em meados dos 80 já jogava na cara de loiras afetadas a verdade sobre os pirralhos. A música chama-se "Os Donos do Mundo", o disco é o "Como é Bom Ser Punk" - e a acidez é para quem tem algum senso de humor: "Criança não é imbecil, criança não é demente |
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