terça-feira, 20 de maio de 2003

Ele tem o poder de enfurecer os seres…

Quem, nascido entre o fim dos anos 70 e começo dos 80, não assistiu a um daqueles famosos seriados japoneses de heróis? Aliás, vamos ampliar o leque dos anos, já que, muito antes do Esquadrão Relâmpago Changeman aterrisar na telinha da extinta Machete, o National Kid já havia entretido a minha mãe e sua geração.

E, na cola do avô dos programas do gênero, vieram os inesquecíveis "Spectreman" (que eu sempre entendi "SpectrOman"), "Ultraman" e seus inimigos com o zíper da fantasia aparecendo.

Mas fiquemos só nos exemplares dos anos 80. Pois eu confesso que, apesar de ser menina, assistia a todos com meu irmão -- e delirava cada vez que aparecia o Satã Goss, no "Jaspion", e o narrador dizia solenemente: "Satã Goss tem o poder de enfurecer os seres e torná-los monstros incontroláveis", em todo orado episódio.

Meu favorito era o "Changeman". Eu gostava mais dos episódios em que os cinco -- Change Dragon, Change Pegasus, Change Griffon, Change Mermaid e Change Phoenix -- montavam aquele robô gigante com os veículos de cada um, para combater um monstrengo recém-aumentado pelo incansável Gyodâi, uma criatura capenga com um enorme olho, que só se prestava mesmo a agigantar os seres malignos depois que eles eram explodidos pela Power Bazuca ("Munição! Na mira! Fogo!").

Eu tinha um pouco de medo dos soldados Hidler -- ok, eu morria de medo das tais criaturas azuis com cachos amarelos, especialmente depois que meu pai, usando uma máscara deles, surpreendeu a gente no quarto, brincando de navio na beliche, e pregou o maior susto -- mas adorava brincar de "Changeman".

A brincadeira dava um certo problema, pelo menos entre meus irmãos, primas e eu (sim, eu não era a única garota que gostava do Esquadrão Relâmpago na vizinhança!).

O fato é que TODAS as meninas queriam ser a Change-Mermaid. Primeiro, porque o uniforme dela tinha mais cor de rosa. Segundo, porque ninguém queria ser a heroína cujo símbolo era uma galinha.

Claro que, do alto dos meus 7 ou 8 anos, não tinha a mais vaga idéia do que era uma fênix…

E, do alto dos meus 25, continuo sem saber o que é um Griffon.

Os outros são os outros e só

Logo depois da febre de "Jaspion" e "Changeman", começaram a pipocar sentais nos programas infantis, mas nenhum deles ganhou o espaço do inimigo do Satã Goss e do Esquadrão Relâmpago em meu coração.

Tinha o Jiraiya, o Jiban e, pasmem, o Lion Man, cuja cabeça era obviamente de pelúcia. Assim não dá.

Clara McFly às 05:34 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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