terça-feira, 20 de maio de 2003

Droga, o mundo é dos espertos?

Tudo bem, eu confesso que sou meio "tolerância zero". Não com tudo, claro, mas em certos momentos... Ouvir ditados e expressões cretinas serem repetidos por pura falta de criatividade, por exemplo, me deixa doida.

São umas lorotas inventadas no tempo do guaraná fechado à rolha e que funcionam como frases de biscoito da sorte para gente que realmente não tem o que dizer.

Ou você vai querer me convencer de que o lema "primeiro a obrigação, depois a diversão" é aceitável? Primeiro a diversão, sempre! E se sobrar tempo, daí é possível pensar na obrigação. A não ser que haja tempo e possibilidade de encaixar a enrolação no meio.

O largamente difundido "amigos, amigos... negócios à parte" também é triste. Quem diz isso costuma ter poucos amigos, aliás - provavelmente porque passou a perna em vários deles. Assim como os que usam o cômodo "falem mal, mas falem de mim". Pessoas que repetem essa máxima são as mesmas que costumam chorar de solidão no travesseiro.

Outro desses ditados bem odiosos é o velho "antes só do que mal acompanhado" - que só ficou pior quando foi invertido pelo Erasmo Carlos numa versão ainda mais desgraçada, o "antes mal acompanhado do que só". Só sendo mesmo muito chato para não conseguir ficar "bem acompanhado e pronto".

Mas o pior de todos é, sem rastro de dúvida, o infame "o mundo é dos espertos". A simples menção desse dito me dá a impressão de que o sujeito que proferiu a frase vai pular em cima de mim e afanar minha carteira.

Essa frase pode ter nascido de várias formas, como pela boca de um sujeito que vendia escrituras da Lua ou por aquelas tias que roubam vagas no estacionamento.

O fato é que, se o mundo é mesmo dos espertos, acho que eu preciso encontrar o inventor do ditado e comprar esse terreninho na Lua.


Reza a lenda dos ditados populares...

...que muitos deles nasceram de maneira porquinha. Minha versão predileta é aquela que conta o motivo de várias pessoas usarem o termo "cuspido e escarrado" para dizer que fulano é a cara de beltrano. O dito, parece, surgiu de uma expressão bem menos nojenta.

Antigamente, pelo que contam, dizia-se que fulano era beltrano "esculpido em carrara", uma referência às estátuas de mármore do renascimento - a pedra que vinha da cidade de Carrara, na Itália, era a de melhor qualidade -, que retratavam humanos com perfeição de detalhes.

Daí alguém bastante surdo entendeu tudo errado e brincou de telefone sem fio, fazendo o bonito "esculpido em carrara" virar "cuspido e escarrado". Eu não digo que certas pessoas repetem ditados como papagaios sem cérebro?

Fla Wonka às 11:53 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold