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Duro de empregar Todo mundo que não é jornalista costuma comentar comigo como o jornalismo deve ser uma profissão ótima. A gente passa o dia escrevendo, conhece artistas, fica com o nome famoso, entra de graça no cinema, ganha um monte de jabá. Mas se você acha que não temos do que reclamar, bem, na verdade nós temos. É sério. Vou contar um segredo de bastidores. O jornalismo é dividido em duas categorias: os que trabalham demais e os que não trabalham. O primeiro grupo trabalha demais porque o segundo grupo existe. E o segundo grupo existe porque o primeiro grupo trabalha demais. Deu para entender? É meio Tostines, eu sei. Jornalista, como 99% da população brasileira, vive com o bichinho do desemprego fungando na nuca todo santo dia. Com medo de que o bichinho ataque, ele mostra serviço e faz as atividades de 5 pessoas. O chefe, vendo isso, pensa "para quê manter 10 empregados se 2 fazem o mesmo trabalho?" e manda embora os outros com a desculpa de "corte de gastos" - como se nossos míseros salários fizessem alguma diferença para a empresa no final do mês. Desse modo, há poucos profissionais que fazem muito e muitos que fazem quase nada. Sinto confessar que me enquadro no segundo grupo, e não é de hoje. Sou tão escolada que perdi a conta de quantas entrevistas já fiz, quantos currículos já mandei e quantas dinâmicas de grupo fui obrigada a participar em busca de um emprego nessa profissão dura de roer. Não vou citar nomes, mas há uma famosa livraria em São Paulo que faz dinâmicas engraçadíssimas - para quem senta e fica rindo da situação constrangedora, claro. Já os infelizes candidatos têm de contar historinha, brincar de escravos-de-Jó, relatar um sonho, revelar que animal gostaria de ser e desenhar a partir de uma elipse. Estive presente em duas delas, e posso me considerar uma sobrevivente por ter suportado cinco horas (cinco horas!) durante as quais paguei toda a sorte de prendas humilhantes, enquanto uma psicóloga da minha idade escrevia num papel suas impressões sobre a roupa que eu estava usando. Minha vontade era sair correndo, gritando com as mãos no rosto como o Macaulay Culkin em "Esqueceram de Mim". Todos meus testes psicológicos, assim como os estudos dos meus rabiscos e da minha caligrafia devem ter dado "fique longe dessa maluca" ou "boa aptidão para espremer laranjas", uma vez que ainda estou aqui assistindo a todos os programas vespertinos da TV. Bem, o que é meu está guardado. Só espero que não seja num cofre acorrentado a um monolito no ponto mais profundo do Oceano Pacífico. Perca a vaga, mas não o bom-humor Se você também vive em entrevistas de emprego mas ainda não obteve um resultado positivo, lá vão algumas falas que podem ajudar na próxima vez. São personagens bacanas que já foram questionados sobre a vida profissional e se saíram muito bem - nas respostas engraçadas. "Eu tenho um chapéu. Um chapéu escrito 'domador de leões' que acende e mostra as palavras 'domador de leões' em grandes letras de neon vermelho, assim você pode domá-los depois do anoitecer" - Mr. Anchovy (Michael Palin) contando sua única qualificação como artista de circo no sketch "Guidance Counselor" do Monty Python. "Eu não quero vender, comprar ou processar algo como carreira. Eu não quero vender algo comprado ou processado, ou comprar algo vendido ou processado, ou processar algo vendido, comprado ou processado. Como carreira, eu não quero fazer isso" - Lloyd (John Cusack) tentando explicar o que diabos ele quer em "Digam o que Quiserem". Entrevistador: “Senhor Murphy, você está querendo dizer que mentiu em seu currículo?” "Senhor, não tenho experiência em bancos, mas sou muito atraído por dinheiro. Eu gosto. Eu uso. E eu tenho um pouco, que guardo num pote sobre a geladeira. Eu quero colocar mais naquele pote, e é aí que o senhor entra" - Robbie (Adam Sandler) respondendo à fatídica pergunta sobre experiência durante uma entrevista em "Afinado no Amor". Entrevistador: “O que você acha do fenômeno El Niño?” |
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