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Meu pequeno exército Já fui viciada em muitas coisas. Nada que tenha me levado para a cadeia ou centros de tratamento de qualquer espécie. Mas um dos meus vícios atingiu níveis alarmantes. Ah, eu a-ma-va meus Playmobils... Comecei a montar minha metrópole de pessoinhas sorridentes de plástico injetado ao ganhar a primeira caixinha em um Dia das Crianças. Trazia uma casa pequena de montar, uma mocinha de vestido verde e acessórios no estilo faroeste. Mas a garota se tornou uma camponesa solitária. Então, no Natal seguinte, fui obrigada a pedir um segundo jogo para os meus velhinhos: o restante do forte apache. A população cresceu, mas como o forte vinha somente com cavalos, índios e confederados, a mocinha continuou meio perdida no meio daquele monte de rapazes. E como ela não era nenhuma vadia, pedi, no aniversário, mais um presente da série. O hospital dos Playmobils vinha numa caixa gigantesca - tanto que ficava guardada no maleiro do meu guarda-roupa, uma honra dada apenas aos brinquedos-tesouros que eu ganhava. Tinha sala de operações, cadeiras de roda, itens diversos para equipar os doutores e as enfermeiras. O caso é que todo mundo tinha como figurino único o uniforme branco do PS, e a mocinha da primeira casa ainda se sobressaía - ela já estava saturada de ser sempre a doente nas histórias. Daí veio a glória: me comportei o ano todo e faturei um completo castelo dos carinhas de cabelo móvel! As princesas aceitaram a garota do tempo do Velho Oeste sem ligar para a diferença de séculos. Brinquei tanto com aquela comunidade - na época, o pessoal os pés chatos e mãos de gancho já era em número maior que a população da minha rua - que os capacetes dos soldados começaram a descascar. Alguns anos depois a moçada toda foi ensacada e, depois de um tempo, doada para crianças da vizinhança (meu pai era desapegado, fazer o quê?). É verdade que eu já estava interessada em outras coisas, mas doeu no coração saber da migração do meu povo Playmobil semanas depois do ocorrido. Espero que hoje eles vivam bem, unidos e que não tenham sido reciclados. Ainda faço umas visitas no www.playmobil.com. Para ver seus filhos e netos, sabem como é.
Meus doutores eram gênios feitos de plástico! |
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