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Quem disse que mãe sabe o que faz? Hoje posso me considerar uma viciada em cinema. Tanto que, se eu passar apenas um fim de semana sem completar o ritual de ficar na fila do ingresso, ficar na fila da pipoca, ficar na fila para entrar na sala e ficar na fila para sair da sala, começo a me deprimir. E olha que eu odeio fila. Mas nem sempre foi assim. Quando eu era pequena fui pouquíssimas vezes ao mundo mágico da salona escura e da telona brilhante. Na verdade, pensando agora no assunto, só consigo me recordar de três: para assistir aos filmes "A Princesa e o Robô", "Bambi" e "E.T. - O Extraterrestre". O primeiro eu adorei, já os outros dois... "Bambi" é um caso clássico de tortura. Pouca coisa pode traumatizar tanto uma criança do que ver a mãe da criaturinha ser morta a sangue frio daquele jeito. Quando fui levada ao cinema, inocentemente achando que ia presenciar uma fábula meiga do Walt Disney, abri o berreiro e continuei chorando por horas a fio só de lembrar do brutal assassinato. Mas nada se compara ao que estava por vir. O dia em que a minha mãe resolveu me arrastar para ver "E.T." - porque todas as amigas dela tinham levado os filhinhos e todos eles tinham achado liiiiindo - marcou a minha vida para todo o sempre. Pois foi extamente a partir daquela data que o meu maior medo infantil começou. Eu fiquei petrificada na poltrona. Lembro-me de esconder o rosto com as mãos para não olhar aquele ser pavoroso. Sejamos francos: o bicho era assustador, além de ter um corpo enrugado que se acendia todo, de possuir um pescoço que crescia e de falar como uma velha com cirrose. E aquela cena em que o Elliot joga a bolinha dentro do galpão e a bolinha volta é de arrepiar. Chorei, gritei, suei. Não dormi naquela noite, nem na próxima, nem na próxima. Qualquer barulhinho no quarto, pronto, o E.T. tá vindo. Foi um pesadelo. Minha mãe, ciente do estrago que tinha feito e que poderia custar anos de análise para sua filha, decidiu, do alto de sua sabedoria, me dar um boneco do personagem para eu me "familiarizar" com ele. Adivinha? Se antes eu tinha medo do E.T. entrar no quarto, bem, agora ele ESTAVA no quarto. Eu pegava o brinquedo (tinha até uma chavinha nas costas para subir o pescoço) e o enfiava debaixo de todos os cobertores, bem no fundo do armário, para criar alguma dificuldade caso o monstro alienígena quisesse aprontar comigo de madrugada. Sei que só fui conseguir assistir ao filme inteiro há pouco tempo, quando reestreou nos cinemas. Dessa vez eu chorei de novo (de pena) e vibrei com a célebre cena das bicicletas voadoras. Ainda bem que a gente evolui, de certa forma - e que o E.T. conseguiu voltar para o planeta dele e não pode mais me atacar. Vivi Griswold às 09:56 AM |
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