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Tec tec tec Sem dúvida esse é um dos sons da minha infância. Ganha um doce quem adivinhar de primeira o que é! Tá bom, lá vão mais algumas dicas: era um brinquedo, vinha nas cores azul/vermelha e precisava de muitos rostos de pessoas de mentirinha - e de apenas um dedo de pessoas de verdade - para que a diversão fosse garantida por horas... E aí, já sabe? Claro que me refiro ao Cara a Cara, um dos melhores jogos que a Estrela já lançou em toda a sua história. Além de ser um passatempo excelente para dias de chuva, o brinquedo exigia raciocínio rápido e um pouquinho de sorte também. Para quem não se lembra, vinham dois tabuleiros com dezenas de caras (homens, mulheres, brancos, negros, com barba, com óculos). Cada participante escolhia uma carta que ilustrava uma delas e, a partir de perguntas eliminatórias, ia-se aos poucos chegando à carta do adversário. Levava os louros quem adivinhasse primeiro. Digamos que eu perguntava "tem olho azul?". Se a resposta de meu oponente fosse positiva, podia abaixar todos os rostos que exibiam olhos de outra cor. E era no ato da eliminação que entrava o tec tec tec. Ainda acho que um dos meus indicadores é mais desenvolvido do que o outro de tanto que eu o exercitava. Era a glória quando seu adversário pegava um representante da minoria. Lúcia, por exemplo, a única garota loira com fitas no cabelo. Se a resposta para "tem fita no cabelo?" fosse um sonoro "sim", pronto, todos os outros vinham abaixo - e era preciso abaixar um por um, para saborear o momento. Meu Cara a Cara de infância se perdeu, mas acabei comprando um novinho. Hoje minha tática evoluiu, assim como o grau de dificuldade. O bacana é escolher duas cartas por jogador, ou ainda fazer perguntas de nível moral e/ou social. Tipo "tem cara de desempregado?" ou "tem cara de quem aperta todos os botões do elevador só de pirraça"? Nunca dá certo no final, mas rende cada risada... Cara-de-pau! Parece que tem gente por aí que adora mexer no que já é bom e acaba estragando coisas sagradas. Deve ser aquele mesmo povo que inventou de trocar para plástico os recipientes do Karo e do Catupiry, sabe? Resultado: quem procurar agora o Cara a Cara na loja de brinquedos vai achar uma versão meia-boca que fica devendo (e muito) à original. Mudaram a embalagem do brinquedo, que antes tinha um menino banguela sensacional. Veja bem, a caixa do Cara a Cara era tão clássica quanto as embalagens dos palitos de dente Gina e do chocolate em pó dos padres. Mas não, ninguém respeitou. O pior é que os "novos" rostos não passam de caricaturas baratas dos desenhos antigos. E como não fosse heresia suficiente, mudaram todos os nomes - aquelas pessoas antes tão familiares, hoje são completos estranhos. Alfredo, o paraguaio trambiqueiro, não se chama mais Alfredo. Nem Jorge, com sua boca caída, ou Maria, com seu nariz de porquinho e boina fora de moda. Estragaram tudo! Tem gente que não tem vergonha na cara. ![]() Que saudades, amiguinhos... |
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