segunda-feira, 12 de maio de 2003

Era só não ter pirado...

O que é hoje o Michael Jackson? Antes que algum fã aí diga "cantor", "artista" ou "dançarino", já vou logo me adiantando em dizer que, hoje, ele é simplesmente a maior chacota do mundo do entretenimento. O que é uma pena.

Fácil ver o que ele se tornou ao notar a quantidade de sarro que se tira do sujeito na tv - e o duro é que quase todas as críticas fazem o maior sentido. Por que? Porque ele poderia ter seguido carreira como o maior astro do mundo. Para isso, como disseram uns garotos entrevistados sobre o assunto "Wacko Jacko", era só não ter enlouquecido.

Michael poderia ter sido uma espécie de versão-virada-de-milênio do Elvis Presley. Ele tinha carisma, legiões de fãs histéricos, estilo, capacidade de inventar novos passos de dança, novas modas, novas futricas leves para revistas de fofoca. Mas tudo, tudo isso passou da conta.

Não é preciso entrar no mérito "Michael está a cara da Helena Bohan-Carter em Planeta dos Macacos". Todo o mundo sabe que o rapaz passou por uma mudança estética bem mais parecida com a reforma da lavanderia lá de casa do que com a restauração de um Picasso.

O comportamento do cidadão é o que mais assusta e menos se compreende. Jackson não se parece em quase nada com um artista de renome mundial com alguma coisa na cachola. Não conseguiu administrar a fama, a grana, o assédio. E eu acho isso muito triste, porque adorava requebrar ao som de "Billie Jean" ou "The Way You Make Me Feel" nos anos 80.

Fazer o "moon walk" como ele, é claro, não dava certo - eu tenho dois pés esquerdos e a porção cerebral designada para dança em estado de coma. Mas quando vestia minha japona vermelha, o mocassim da escola e uma calça pula-brejo com meia branca aparecendo, ninguém me segurava.

Daí o Michael pirou, ficou branco e sem-graça, comprou filhos no hipermercado e eu não tive mais motivos para gostar dele. Só para lamentar que tão brilhante astro tenha virado uma grandessíssima estrela cadente.

Fla Wonka às 12:10 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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