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Conhece a última do papagaio? Era uma vez um senhor que queria adquirir uma ave ornamental e, para tanto, dirigiu-se a uma pet-shop. Ao voltar para casa com sua compra, o distinto cavalheiro achou estranho a total falta de movimento na gaiola. Examinando mais de perto ele reparou, para seu completo espanto, que o pobre animal estava pregado no puleiro. Indignado, voltou para exigir providências do estabelecimento que lhe havia vendido o... PAPAGAIO MORTO! Você provavelmente nunca ouviu essa anedota numa roda de boteco, nem da boca de seu tio (aquele mesmo, que enche a cara na ceia de Natal e dá vexame). Mas eu garanto que é a melhor piada de papagaio do mundo todo, e seu efeito é similiar àquela tortura medieval que prende a pessoa para fazer cócegas e morrer de rir. Trata-se de um dos trabalhos mais conhecidos e elogiados do Monty Python, grupo insano formado por cinco comediantes ingleses e um americano. Imbatível, o sexteto assinou a série "Flying Circus", exibida pela BBC, e alguns filmes, como "A Vida de Brian", "O Sentido da Vida" e "O Cálice Sagrado" - de onde foi emprestado o nome deste site que vos fala. Se existir algo para ilustrar o sentido mais puro do adjetivo genial, yep, são eles. Voltando à piada: John Cleese (mais conhecido hoje pelo personagem Q dos recentes filmes do 007) é o cliente fulo da vida, enquanto Michael Palin, meu Python favorito, é o vendedor da pet-shop. O pobre papagaio, duro como um pau, é na verdade uma arara-azul empalhada, mas isso não vem ao caso. A graça do quadro é a luta verbal entre os dois. De um lado, Cleese tenta mostrar de todas as formas que o animal está mortinho da silva e exige um outro papagaio, de preferência vivo. Palin, por sua vez, tenta convencer o cliente de que o bicho não está morto, mas "descansando". É simplesmente hilário. Tão hilário que entrou para o especial que a revista Time publicou em 31 de dezembro de 1999. O sketch aparece como o segundo melhor quadro de comédia do século 20. Eu disse segundo? Pois é. Perdeu para um da dupla Abbott & Costello - coincidentemente norte-americana. Há controvérsias, é o que eu digo! "The Dead Parrot" virou parte da cultura pop e não é difícil encontrar referências em muitas produções posteriores. A última que notei foi no date movie "Como Perder um Homem em 10 Dias", em cartaz nos melhores (e piores) cinemas do ramo. Repare no diálogo entre Andie (Kate Hudson) e Ben (Matthew McConaughey) na hora em que a moça descobre que a "samambaia do amor" morreu. Bingo! ![]() "Look, matey, I know a dead parrot when I see one, and I'm looking at one right now" |
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