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Ei, ei, ei! O meu forte é a rima! Eu tenho uma coisa a confessar. Calma; não é nada que envolva atividades ilegais, imorais e muito menos engordativas, o que qualquer pessoa que me conhece sabe, visto meus míseros 43 quilos mantidos desde os 17 anos. Bom, eu tenho um nome duplo. Sim. Dois nomes. E não é Maria Clara, Ana Carolina ou qualquer dessas coisas mais aceitáveis. Às vezes me constrange um pouco responder à pergunta "nome completo", bem comum em formulários de bancos, hospitais, convênios ou promoções. Mas quando isso acontece sempre penso nas pobres garotas que tiveram suas graças colocadas em pegajosos refrões do cancionato popular brasileiro: Carla, Camila e Anna Julia. É um bom consolo, já que essas meninas devem ter tido de aturar um bom volume de piadas repetitivas, comentários sem-graça e toda sorte de situações constrangedoras ao se apresentarem aos engraçadinhos de plantão. Imagina só, nos idos do início dos 90, garoto e garota se encontram na Overnight ou na Up and Down: Como se não bastasse, depois do Nenhum de Nós nos 90, o LS Jack e o Los Hermanos (vale um parêntese: banda vítima do próprio sucesso, já que eles nem se comparam ao LS Jack, pelamordedeus) resolveram, na década seguinte, tornar a vivência das Carlas e Annas Julias um pouquinho pior. Pelo menos meu nome (nem o primeiro, nem o segundo, muito menos os dois juntos, que alguém acertar a combinação ia ser demais!) não figura em nenhum desses refrões. Ufa! Além do mais, é duro rimar Clarissa. Tenho tentado a vida toda, e a única palavra que encaixa é linguiça, o que não é nada poético, apesar do decadente nível dos versos na música. Tá bom, eu também sou péssima com rimas. Melhor deixar pra lá… ‘Sêo’ Bono, ‘Sêo’ Morrisey e ‘Dona’ Natalie Há uns cinco anos, eu pretendia batizar minhas filhas só com nomes tirados de músicas. Já estava tudo acertado: seriam três rebentas que receberiam as graças de Glória, Alma e Gala. Glória da música de mesmo nome dos primórdios do U2; Alma de "Alma Matters" do Morrissey, e Gala de "Stockton Gala Days", do 10.000 Maniacs. Minha mãe, com a sapiência de sempre, postulou: "Vão chamar sua filha de Galinha na escola." Desisti. Criança é cruel mesmo. |
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