A teledramaturgia brasileira já nos brindou com milhares de personagens desde a primeira novela exibida diariamente, "2-5499 Ocupado", que foi ao ar pela TV Excelsior em 1963. De lá pra cá, tivemos tipos estranhos, simpáticos, engraçados, cativantes e insuportáveis. Aposto que você se lembra de muitos - mas aposto também que já se esqueceu de um punhado deles há tempos.
Pois aqui vai uma homenagem aos personagens inesquecíveis dos quais poucos ainda se recordam. Não estou falando daquele psiquiatra de "O Clone" que era tão expressivo quanto uma vassora de piaçava e não tinha uma fala sequer, mas de pessoas de mentirinha que eram boas pra danar e participaram de novelas globais um pouco antigas (mas nem tanto, que eu não sou tão velha assim, pô).
Vamos ao (oba) top 10!
10) Tonho Da Lua, por Marcos Frota
Ainda que seja impossível se esquecer do Da Lua, ele é o número 10 da lista. O escultor da segunda versão de "Mulheres de Areia", de 1993, passava os dias nas praias fazendo a arte que dava título à novela. Saco de pancada de todos, a única que o respeitava era a sua "Ruthinha".
9) Naná, por Zezé Polessa
O que seria dos muitos filhos de Gaspar (Nuno Leal Maia) se não fosse essa babá simpaticíssima e um tanto andrógena em "Top Model", de 1989? Meio piradinha, super natureba e politicamente correta até não poder mais, o máximo que ela chegava de um palavrão era "meleca".
8) Astromar Junqueira, por Rui Resende
Foi difícil escolher apenas um personagem de "Roque Santeiro", de 1985 - para muitos a melhor trama de todos os tempos. Astromar foi o eleito por ser muito, muito estranho. Além disso, quando aparecia, sempre tocava a música do lobisomem ("mistérios da meia-noite....").
7) Vitinho Giovanni, por Flávio Migliaccio
Esse roubava todas as cenas de "A Próxima Vítima", novela de 1995 que mobilizou os telespectadores para descobrir quem era o serial-killer. O tio Vitinho, que adorava falar "homeless" (ou romelesse, como ele pronunciava) morava com o feirante Juca, personagem de Tony Ramos.
6) Cinira, por Rosane Gofman
Quem assistiu a "Tieta", de 1989, adorava quando a Cinira aparecia. Sempre acompanhada de sua amiga Amorzinho (Lília Cabral), a beata não era tão beata assim: a mais simples menção de homem, principalmente de Osnar, fazia "subir um calô" e ela tinha um piripaque. Impagável.
5) Caio Szymanski, por Antônio Fagundes
Pensei muito em colocar o adorável professor gago de "Rainha da Sucata", de 1990, na lista. Apesar de Fagundes ser mainstream, ele merece por fazer todo mundo rir com aqueles óculos emendados de esparadrapo e seu caso conturbado e divertido com "a bailarina da coxa grossa".
4) Matosão, por Otávio Augusto
Vampiros entraram em moda novamente, mas nenhum deles chega aos pés de Matosão, exibido em "Vamp", de 1991. A mordida que o fez virar monstro não funcionou muito bem, e ele ficou com apenas um canino proeminente. Pode? E sem contar aquele sotaque Made in Paraguay!
3) Tina Pepper, por Regina Casé
Também conhecida por Albertina Pimenta, esse projeto de Tina Turner era o ponto forte de "Cambalacho", que foi ao ar em 1986. Até música ela tinha, lembra? Em uma novela como poucas, ainda tínhamos as inesquecíveis Ana Machadão (Débora Bloch) e Lili Bolero (Consuelo Leandro).
2) Heleninha Roitman, por Renata Sorrah
Taí uma das favoritas da casa. Pois como bem diz a Clara, não se fazem mais bêbadas como antigamente. O exemplar de "Vale Tudo", trama de 1988, era demais. Heleninha e seu alcolismo protagonizaram cenas inesquecíveis da TV - e todas elas acompanhadas de um bom barraco.
1) Ravengar, por Antônio Abujamra
Ele é o número um! Sim, Mestre Ravengar, o feiticeiro maléfico de "Que Rei Sou Eu?", jóia global de 1989. Tudo nele era o máximo: as roupas de mago, o medalhão no pescoço, o cabelo de louco, a pronúncia impecável e até a sisuda assistente Fanny (Vera Holtz). Esse fez escola - e história.

Ei Ei Ei Ravengar é nosso rei!
Nota da redatora: Já que a Rede Globo faz questão de esconder nas profundezas de seu site qualquer informação da época em que havia coisa boa na emissora (faz tempo, hein?), é mais fácil procurar outros meios para saber detalhes sobre esses e outros folhetins bárbaros. Quer uma dica? Clique aqui!