quarta-feira, 7 de maio de 2003

Janela, janelinha, porta, campainha

Que me perdoem os fanáticos por segurança, mas morar em casas foi, é e sempre será muito mais divertido do que morar em apartamento. E eu não estou aqui só para defender os quintais.

Tive essa certeza hoje ao passar pelas ruas de Pinheiros e ver que os rapazes da prefeitura estavam dedicados a podar as árvores do bairro. Quando eu ainda era uma meninota de perninhas roliças, essa era uma época mágica.

Minha diversão era apanhar o maior número de galhos cortados e amarrar todos no portão de ferro lá de casa. Terminado o trabalho, fingia que morava na casa do Tarzan e convidava os amigos para vir brincar de "bando de macacos".

Além da semana da poda, outras centenas de atividades só ficavam realmente legais porque eu morava numa casa, e não em um apê do tamanho de uma caixa de tênis Ortopé, como hoje.

Tomar sol na laje, por exemplo. Solário de cobertura ou piscina de edifício não têm o charme de uma laje quando o plano é pegar um bronzeado urbano - sem falar que passei anos lendo meus livrinhos sentada na tal da laje, para ter paz. E tinha.

O estilo de vida que se leva em uma casa, apartamento nenhum pode imitar. Pular corda sem amarrar uma das pontas no portão é inconcebível. Assim como a alegria de sentar no muro e ficar apreciando o ir-e-vir dos garotos bonitinhos que você paquera nas redondezas.

Uma das coisas mais bacanas das casas é a campainha (eu sei, apartamento também tem, mas nem se compara). Apertar esse botão na residência dos vizinhos e correr até doer a lateral da barriga era um namoro que eu prazerosamente mantinha com o perigo. Dá para fazer isso morando prédio? Até dá, mas desconfio que não tenha metade da graça.

O dispositivo campainha ainda é relacionado com outra das minhas diversões mórbidas de infância residencial. Atender vendedores, mórmons e profetas do apocalipse em geral era ótimo, porque desenvolvi uma incrível técnica de parecer interessada sem ouvir absolutamente nada do que eles diziam ou vendiam.

Será possível ter saudade dos Testemunhas de Jeová? Eu tenho! Por onde será que eles andam pregando hoje, com tantos prédios, é o que eu fico pensando na minha microsacada...

Fla Wonka às 03:51 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold