quarta-feira, 30 de abril de 2003

Quem escreve já cresceu

Durante a minha infância, Harry Potter era apenas um embrião de mago. Porém, meus livros de cabeceira não deviam nada às histórias do menino de óculos redondos e cicatriz na testa em matéria de ficção viciante para crianças. Quando o Atari esquentava e a TV enjoava, era hora de largar tudo e pegar um exemplar da "Série Vaga-Lume"!

Lançada pela Editora Ática, a coleção era composta por cerca de 50 obras baratas (também vendidas em supermercados) e curtinhas (100 páginas na média), cheias de mistério e aventura, feitas na medida para mostrar, como quem não quer nada, que ler poderia ser divertido e que não precisávamos esperar a professora mandar.

No final de cada livro vinham as ilustrações de todas as capas dos outros títulos. Para você ter uma idéia de até onde chegava meu vício, eu costumava fazer um grande X naqueles que já tinha lido, para saber quanto ainda faltava para alcançar minha meta de ler toda a série - nunca cheguei a completar o desafio, sei lá. Acho que cresci. Chuinf.

"O Escaravelho do Diabo", da Lúcia Machado de Almeida, era meu favorito. Foi a primeira história de serial-killer que caiu nas minhas mãozinhas infantis. Apesar de devorá-lo umas 30 vezes, me lembro vagamente dele. Parece que as pessoas marcadas para morrer eram ruivas e recebiam um pequeno escaravelho negro momentos antes de baterem as botas.

Com o perdão do trocadilho, o rei da "Série Vaga-Lume" era mesmo o Marcos Rey. O escritor, nascido Edmundo Donato e falecido em 1999 aos 74 anos, foi o responsável por cerca de 15 títulos da série. Entre eles, "Quem Manda Já Morreu", "Um Cadáver Ouve Rádio", "Enigma na Televisão" e o célebre "O Mistério do Cinco Estrelas" - que atingiu, até 2002, a marca de 2,5 milhões de exemplares vendidos.

Também habitavam minha estante: "A Ilha Perdida", de Maria José Dupré; "O Caso da Borboleta Atíria" e "As Aventuras de Xisto", também da Lúcia; "Os Barcos de Papel" e "O Outro Lado da Ilha", ambos de José Maviael Monteiro; "A Primeira Reportagem", de Sylvio Pereira.

E o melhor da história é que a Ática continua editando a série, mantendo até os mesmos desenhos nas capas. Os livros ainda são baratos: 14,50 reais em média. Tá esperando o quê? Procure já na livraria mais próxima e aproveite o feriado para dizer oi à fumacinha mágica do túnel do tempo.

O último que clicar aqui é mulher do padre!

Vivi Griswold às 10:16 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold