terça-feira, 29 de abril de 2003

Desdobrem a lona para pendurar no portão

Quem, nascido entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, não dançou, naqueles bailinhos de garagem com lona no portão (porque se não tivesse o danado do plástico não era bailinho), alguma das pérolas radiofônicas assinadas por Richard "Angelia" Marx?

O cantor, que ostentava um portentoso mullet, era autor do hit citado acima e daquele outro, "Right Here Waiting", com aquele começo místico: "Oceans apart/ Day after day/ And I slowly go insane", e a certa altura sacava da filosófica pergunta: "If I see you next to never/ How can we say 'forever'?". Puro deleite e algumas memórias de pré-adolescência.

Pois a pergunta que se abateu sobre mim esta manhã, enquanto cantava "Right Here Waiting" a plenos pulmões no carro parado no trânsito (para delícia dos caminhoneiros que ganharam um showzinho grátis ao olhar para dentro do meu carro), é: "por onde andará Richard Marx? O intérprete de voz rouca e invejável cabeleira vive?"

Com pouco trabalho, descobri que o moçoilo persiste, sim. Além de álbum lançado em 2000, chamado "Days in Avalon", parece que Marx engatou como produtor e trabalhou com outra praga das rádios em seu tempo, o *NSYNC, além de uma meia-dúzia de outros artistas sem muita expressão ou referências em terras brasilis.

E descobri também que o artista já pentelha no mundo da música há muito tempo: antes de estourar nos idos dos 90, Richie cantava jingles comerciais feitos por seu pai, desde os cinco anos de idade.

Ainda assim, no site oficial do cantor, a última atualização data de dezembro de 2002. Talvez ele esteja fazendo turnê. Talvez esteja fazendo filhos. Pode estar no Ceará fazendo aquelas garrafinhas de areia colorida. Ou brincando com o cachorro. Mas que ele vive, ah!, isso vive. Afinal, como diz minha vó, vaso ruim não quebra.

Sem lona não dá

Eu desço a lenha, mas reconheço que minha pré-adolescência não seria a mesma sem o grande Richard Marx. Nem sem a lista de canções com respectivos cantores e bandas aí debaixo, que registra uma breve "dez-mais" dos bailinhos da minha época:

1. Angelia e Right Here Waiting, de Richard Marx.
Pelas razões já citadas e a dramaticidade da interpretação.

2. Lost in Your Eyes, de Debbie Gibson.
Aquele 'crescendo' que culmina com "I don't mind not knowing what I'm headed foooor… You can take me tooo the skiiiiiiiii-iii-iiies!" merece respeito.

3. Listen to Your Heart, do Roxette.
A introdução de pianinho não arrepiava?

4. Hunting High and Low, do A-ha.
Porque músicas com som de gaivotas no meio são sempre bem-vindas na minha lista. Ainda mais se o clipe imita "O Feitiço de Áquila".

5. Rush Rush, de Paula Abdul.
Eu me lembro de ler essa letra na extinta (e salvadora, na era pré-Internet) "Letras Traduzidas", da Bizz, e os caras tiveram a pachorra de traduzir o "hmmm na na na na na naaa" do comecinho!

6. More than Words, do Extreme.
Essa praga tomou as rádios de tal maneira que até hoje não consigo ouvir a música. E nem deveria, mesmo. Mas funcionava que era uma beleza nos bailinhos!

7. Wind of Change, do Scorpions.
Essa música, assim como a banda, não deveriam existir. Mas que tocava, tocava.

8. Patience, do Guns'n'Roses.
O clipe que tinha Axl fazendo cara de cachorro-que-caiu-da-mudança conquistou os corações das pré-adolescentes da época pelo hormônio. E só digo uma coisa: é impossível assoviar aquela introdução. Deve ser um truque de estúdio.

9. Girl I'm Gonna Miss You, do Milli e Vanilli.
Os caras deram a maior folha seca na indústria musical e emplacaram, além de "Girl You Know It's True", esta baladinha obrigatória.

10. Forever, do KISS
A banda Beijo pintava o rosto e fazia cara de mau, mas escrachava o romantismo com essa hilariante música de fossa. O cara canta "I see my future when I look in your eyes" e depois quer mentir que o nome da banda vem de "Kids in Satan's Service". Arrã.

Clara McFly às 05:31 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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