terça-feira, 29 de abril de 2003

Os seriados que fazem "ping!"

Nem todas as onomatopéias do mundo dão conta dos seriados médicos que existem na TV paga ultimamente. É tanto barulhinho de aparelho, tanto sangue, tanto avental verde-água e tanto nome de remédio que a) você fica hipocondríaco ou b) fica com vontade de ser médico nos EUA ou c) as duas alternativas anteriores somadas.

Conte comigo: temos o famoso "ER" (temporada antiga e nova temporada); os melodramas "Presidio Med" e "Everwood"; o cômico "Scrubs"; os reality-shows "Sala de Emergência" e "Linha Vital". Se o seu pacote inclui o canal Discovery Health, então, pode somar mais uns 10 na lista, como "Hospital Infantil", "Planeta Médico" e o ilustrativo "Maternidade".

O que atrai nós telespectadores a tais programas está além de minha compreensão, mas o fato é que, ao zapear, sempre acabo parando em algum deles para dar uma espiadela.

Acho os diálogos fantásticos, e sempre procuro alguma ocasião para gritar "fibrilando!", "se você me ouve, pisque duas vezes", "duas bolsas de O positivo, rápido!" ou "infelizmente teremos de abrir o tórax". Claro que ainda não achei uma.

E como os médicos são nobres em seriados. O que tem de pediatra querendo pagar do próprio bolso tratamentos para criancinha com câncer! Outro fator sensacional é que, apesar do PS lotado, sempre tem uma sala vazia para o doutor e a enfermeira darem uns amassos; sem mencionar as rosquinhas frescas na recepção e a cesta de basquete para horas vagas. Que vidão.

Desliguem os aparelhos!

Sei que há muita gente chata nesse mundo sem porteira. Mas até alguém me convencer do contrário, minha opinião é de que não há uma criatura mais insuportável no universo da teledramaturgia norte-americana do que Peter Benton, do "ER".

O homem nunca deu um sorriso, está sempre emburrado e cheio de problemas, briga com todo mundo e é incapaz de entender uma piada. Como se não bastasse, o ator Eriq La Salle (?) é péssimo. Dentre todas as expressões que um rosto é capaz de fazer (raiva, medo, rancor, alegria, etc), ele escolheu apenas uma - "cuidado, cão raivoso" - repetindo-a à exaustão.

E tudo isso com aquela cara de Lionel Ritchie dele. Não sei quanto a você, mas eu tenho a impressão, toda vez, de que Dr. Benton vai relaxar o bico e começar a cantarolar, lépido e faceiro, a melodia "Hello, is it me you're looking for...". A quem ele quer enganar, ora pois?

benton.gif
Say you, say me

Para Mark Green. In memorian.

Vivi Griswold às 09:26 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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