sexta-feira, 8 de agosto de 2003

Rooney, Moisés e um certo robô líquido

Por acaso você vai à farmácia e pergunta ao balconista onde ficam as lâminas de barbear? Ou os absorventes femininos? Ou as hastes de algodão? E na copiadora, pede uma fotocópia de um documento? Ou, na cozinha, usa amido de milho para fazer um creme?

Se sim, parabéns: você está na ínfima porcentagem de pessoas que não usam gilete, modess, cotonete, xerox e maisena.

Muitos produtos acabam ganhando o nome da marca mais famosa que os produz e pronto!: xerox é sinônimo de fotocópia, maisena de amido e por aí vai.

Isso é mais que sabido. Mas alguém já percebeu como esse fenômeno de repete com alguns atores e atrizes?

O pior é que alguns deles são bons, mas acabam marcados pelo personagem mais popular que encarnaram na máquina-de-fazer-doido ou na tela gigante do cinema.

Comigo acontece direto: basta surgir em algum filme ou programa aleatório a imagem de Robert Patrick que meu cérebro o identifica como o T-1000. É instantâneo e irreversível. O cara É o robô líquido de "Exterminador 2" e pronto.

Outros, de carreira mais prolífica, acabam rotulados por razões pessoais -- nesse caso, ter assistido a um filme em tenra idade, o que faz você registrar definitivamente a imagem da pessoa associada ao personagem.

Foi por causa de uma exibição de "Os Dez Mandamentos" que vi há eras na TV que Charlton Heston, para mim, é Moisés. Eu sei que o homem já está velhinho e aparentemente meio gagá (nada mais explica as declarações que ele deu a Michael Moore no ótimo "Tiros em Columbine"), mas ao vê-lo, continuo enxergando o patriarca bíblico.

Aliás, um parêntese: se ele ainda não está meio pinel, então só sobra outra explicação -- Moisés é racista, o que derruba um dos mitos de minha infância.

E por falar em mitos que caem por terra, quem diria que Rooney, o diretor do clássico "Curtindo a Vida Adoidado", é pedófilo?

Foi outro baque no meu mundinho quando o ator Jeffrey Jones (para mim, O Rooney) foi preso por acusações de pedofilia! Mal sabia ela, mas Jeanie estava certa ao chutar o diretor que invadira sua casa.

A tela caseira é mais pródiga ainda de exemplos: quase todos os atores de seriados acabam virando sinônimos de seus personagens.

Ou vai dizer que você assistiu a "Perdidos no Espaço" e não viu o Joey ali, no comando da nave? Ou a "Máfia no Divã" e não notou que Ben Sobel (Billy Crystal) estava, na verdade, se casando com a Phoebe?

Clara McFly às 07:29 PM

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Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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