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Férias na praia da vovó Não precisa ser um gênio da observação para notar que euzinha não gosto muito de mar. Basta ver a cor em que me encotro (e sempre me encontrei). Devo ser uma das poucas pessoas nesse país de tradições praianas que jamais topariam descer a serra num feriado prolongado, ou ficariam meladas de protetor solar fator 95 com areia grudada aqui e acolá. Simplesmente não tenho vocação de virar bife à milanesa em público só para pegar uma corzinha - no meu caso, lê-se "só para virar um pimentão". Desde sempre preferi campo, montanhas, pé na terra, cheiro de mato. E frio, muito frio. Mas de vez em quando, principalmente nas férias escolares, acabava pegando o ônibus para São Vicente, cidade do litoral paulista, porque minha avó paterna morava lá (e eu achava o máximo alguém que morava na praia, que para mim nunca foi lugar para estabelecer residência fixa). Devo confessar que era divertido. Ou, no mínimo, pitoresco. Para começar, já ficava louca que o ouvido tampava quando estávamos descendo a famigerada Serra do Mar. Começava a gritar "tampou, vó!", toda feliz. Criança se diverte com muito pouco, né? Analisando a situação agora, acho que o bacana era o sabor de aventura. E, quando menininha, até um passeio no quintal de casa tinha sabor de aventura. Eram alguns dias vivendo como se fosse o núcleo suburbano da novela das 8. Almoçava e jantava sanduíche de mortadela e suco de caixinha (coca-cola não entrava da casa da minha avó), assistia televisão com Bombril na antena (tentando reconhecer o Tarcísio Meira e o Cid Moreira no meio daquele monte de fantasmas) e ficava brincando com os gibis de palavras-cruzadas da Coquetel. Principalmente porque chovia muito quando eu estava lá. Então tinha que me distrair de outro jeito, com passatempos caseiros. Como estávamos sempre em duas pessoas, e uma delas era uma senhora que não iria compreender muito bem as regras, não dava para jogar Stop ou Imagem e Ação ou Detetive. Sobrava a tentativa de distração com um baralho gasto (faltando o Às de Paus) ou com o Almanacão de Férias da Turma da Mônica - abençoado seja - que eu lia e relia quantas vezes fossem necessárias. Quando o dia amanhecia seco, seguíamos para a praia. A praia em questão era uma poça d'água salgada e sem movimento qualquer de ondas ou maré. Ou de gente - por motivos óbvios. Minha avó tinha medo de me levar para o "point da galera" porque lá tinha correnteza. Ah, tá. Realmente nessa nossa praia a última coisa a ser encontrada era correnteza, se nem marolinha tinha... Não dava nem para "pegar jacaré" ou fazer de conta que estava me afogando. Eu ficava lá, com cara de tédio, contando quantos pedaços de plástico passavam flutuando por mim. Depois do sol ficar forte (lá pelas 10h da manhã, já mencionei que minha mãe é dermatologista?), voltávamos para o prédio. Antes de subir no elevador, tinha que lavar os pés sujos de areia na torneira da garagem. A água era muito gelada e eu entrava no elevador morrendo de frio. E subia os andares torcendo para que a TV tivesse acordado de bom-humor também. Pensando melhor, que saudades do cafofo e da prainha da vovó. Vivi Griswold às 09:06 AM |
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