quinta-feira, 7 de agosto de 2003

Cama, sono... ação!

Momento de auto-afago: gosto de várias coisas sobre mim mesma. Mas talvez a que eu goste mais de todas seja a minha capacidade de dormir em qualquer canto, mesmo com um holofote na cara ou ao lado de uma fanfarra. E, melhor ainda: eu sonho muito colorido!

Juro para vocês: já dormi em todo tipo de meio de transporte – carro, trem, avião, vários modelos de barco –, na carteira da escola, em rodoviárias, no cinema (poxa, estava passando “Ghost” e eu estava com gripe, dá um desconto...). Em todas essas situações, eu sonhei. Mesmo quando se tratava de cochilos de quatro minutos.

Lembro, aliás, de sonhos que eu tive quando ainda era menininha. Mais ou menos aos sete anos, sonhei que estava no banco com a minha mãe e o Bozo entrou voando pela porta, mandou que eu subisse nas costas dele e me levou dali. Interpretação: eu o-di-a-va ir ao banco com a minha mãe, porque ela me fazia ficar sozinha em outra fila pra ir mais rápido, então o Bozo era uma rota de fuga perfeita. Ainda mais um Bozo-Alado.

E pensa que os sonhos ficaram menos surreais com o tempo? Claro que não. Quanto tinha uns 15 anos, sonhei por três semanas SEGUIDAS com um homem que me enchia de tiros em uma estrada erma e ensolarada. Interpretação: sei lá, acho que eu tinha um medo danado de morrer assassinada numa estrada erma e ensolarada. Nunca contei isso para ninguém... Tive receio de ir parar no Pinel.

Nos últimos anos meus sonhos começaram a ficar mais politizados. Durante o soninho merecido, já sonhei que estava dizendo ao Celso Pitta para ele falar a verdade sobre os precatórios e que pedia à Xuxa para adotar algumas crianças do Camboja. Interpretação: eu vejo telejornal demais. E como muito antes de deitar...

O bom é que, hoje, ando numa fase bem mais fútil. Sonho sempre com pessoas que gosto muito e artistas de cinema. Todos no mesmo balaio de gatos, conversando e trocando idéias, passeando por cidades bonitas e me dando conselhos sobre roupas e cortes de cabelo. Um deleite.

Ontem mesmo Brad Pitt me visitou à noite. Entre um cappuccino e um croissant apreciados de frente para a bela igreja de Sacré-Coeur, em Paris, e observando a vista junto com alguns amigos meus da vida real, Brad disse que sempre quis ser guarda-noturno. Interpretação: sonhar é divertido pra diabo!

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Eu disse que sempre dormi e sonhei em qualquer canto... Até na Variant de papai...


Fla Wonka às 02:03 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold