quinta-feira, 7 de agosto de 2003

Os tiras também choram

Nova York. Oito milhões de pessoas. Cinco milhões de animais de estimação. Dez agentes contra maus tratos a animais com poder de polícia.

Assim começa meu novo programa favorito, transmitido todas as quartas às 20h (com reprise às 23h) no Animal Planet. Ah, nunca mencionei que sou viciada nesse canal? Pois preciso confessar minha porção nerd-ativista: pago até um plano mais caro da TV por assinatura só por causa da programação totalmente dedicada aos bichinhos.

"Distrito Animal" é uma atração emocionante e sua fórmula é simples: uma pitada de documentário, umas colheradas de ação e muitas doses de lágrimas. Esse último ingrediente fica por minha conta, porque eu nunca consigo sobreviver a cada episódio sem chorar. Simplesmente não posso ver gente maltradando cachorrinhos e gatinhos indefesos, e pareço uma tonta enxugando minha cara na manga e indo assoar o nariz no banheiro em todos os intervalos. Mas eu assisto mesmo assim, não por ser masoquista - mas porque adoro ver esses bandidos serem detidos.

O programa acompanha o dia-a-dia de policiais da ASPCA, órgão de proteção ao animal dos Estados Unidos. Os tiras passam cada expediente de trabalho atendendo a denúncias de maus tratos. Há casos menores, como gatos que sobem em árvores e não conseguem descer, ou cachorros idosos cujos donos centenários não têm mais condições de oferecer cuidados nem a eles próprios.

Porém, na maioria das vezes, são mostradas imagens tão perturbadoras que dá vontade de socar aquelas pessoas. Ontem, por exemplo, um cara deixou o cachorro morrer de fome e com uma ferida aberta por se recusar a levá-lo a um médico. O motivo: ele não queria sujar o banco do carro. O bacana é que os agentes se sensibilizam e muitas vezes chegam a chorar na frente das câmeras. É admirável a paciência e o estômago forte que eles têm.

Em casos extremos, os policiais apreendem o animal para levá-lo (se estiver vivo) à clínica veterinária da Sociedade Protetora - cuja veterinária chama-se Jerusa Paiva e tem o maior sotaque de brasileira - e depois voltam ao local do delito para prender o culpado pelos maus tratos ou negligência. Isso mesmo, PRENDER! Eles colocam a pessoa na frente de um juiz se ela não cuidou propriamente de seu animal de estimação, correndo o risco de levar uma multa pesada ou de ver o sol nascer quadrado por um tempinho considerável.

A seguir o bichinho aparece curado, de banho tomado e todo feliz num novo lar, onde receberá o carinho que nunca teve. Daí, as lágrimas são de alegria. Quando o programa termina, sempre me pego pensando na possibilidade de ter um emprego desse. Tenho certeza que jamais conseguiria. E fico muito feliz em ver profissionais duros na queda que pensam o contrário.

Vivi Griswold às 09:41 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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