quarta-feira, 6 de agosto de 2003

De garotas e notas

Por trás de uma grande música, há sempre uma grande mulher. Ops. Acho que não era esse o ditado. Mas enfim... Para a geração que só conheceu a "Carla" do LS Jack -- banda, aliás, chegadinha num barraco -- e, mal e mal, a "Camila", do Nenhum de Nós, prepare-se: há um mundo maravilhoso no universo das canções inspiradas por moçoilas.

Do brega ao chique, conhecemos Lígia, Luíza, Madalena, Mariana, Jéssica, Gabriela, Cecília, Carolina, Bárbara, Clara, Ana e quem mais chegar. Mas fizeram o ranking que vem aí embaixo só as que mais incitam minha imaginação com a descrição de suas protagonistas ou da vida dessas mocinhas (ou não, e você já vai entender porquê).

Meninas de música

5. A Rosa, Chico Buarque e Djavan
Um sarrinho sem fim, a letra do mestre Chico B. conta a história de uma mulher bem abilolada, que vive a enrolar o cara. Dentre os versos sempre bem costurados pelo senhor dos olhos ardósia, figura o impagável "Às vezes me chama Alberto; decerto sonhou com alguma novela". Pobre do moço, tão ingênuo...

4. Jackie Tequila, Skank
Flá Wonka continua tentando descobrir porque o pai da Jackie atravessou o mar com as filhas na canoa, côco para beber e leite de leoa. Nunca pensei nisso, mas acho mesmo que é só para rimar. O que não tira o charme da história da menina de olhos de amêndoa. Aliás, porque será que a moçoila ganhou o apelido destilado? Será que ela era roitmann? Bom, se eu cruzasse o mar tomando água de côco e leite de leoa, também seria.

3. Geni, Chico Buarque
Meu mundo caiu ontem à noite quando minha mãe falou que a Geni era um travesti. Mas tudo bem: se ela queria ser menina, deixa ser, ué! Por isso, a história da garota, digamos, "soltinha" e liberada, que acaba por salvar a cidade que tanto a desprezava topando passar a noite com o comandante do ameaçador zepelim, garantiu seu lugar nesse ranking. Quando eu era pequena, tinha a maior pena da Geni, enganada por aquela cidadezinha escrota!

2. Amélia, vários
Desde pequena que ouço a reclamação das mulheres contra a figura da simpática -- e simplória -- Amélia. Quando finalmente ouvi a música, já com idade para discernir, vou dizer: não vi nada de tão horroroso e machista nos versos da pobre que topava encarar as dificuldades com o marido. Cantar "se te pego com outro te mato, te mando umas flores e depois escapo", como o Sidney Magal cantava, me parece bem mais nocivo. Mas é que ninguém leva o Sidney muito a sério mesmo...

1. Morena de Angola, Chico Buarque ou Clara Nunes
Tá, já deu para perceber como eu gosto de tio Chico, né? Mas o que posso fazer se as músicas do moço são tão bem feitinhas? Essa era uma das minhas favoritas na infância, mas eu gostava mais da versão com a Clara Nunes. De qualquer maneira, eu era amarradaça na mulher que levava o chocalho na canela, preparava galinha à cabidela, peixe de Benguela, deixava tudo para lá e batucava na panela. É ou não é uma delícia de música, cheia de trava-línguas e imagens curiosas? Não é de se espantar, portanto, que eu gostasse tanto da canção quando criança. E continuo gostando.

Clara McFly às 06:27 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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