terça-feira, 5 de agosto de 2003

Coelhinho, se eu fosse como tu

Eu não sei porque as pessoas gostam tanto de falar palavrões ou acham graça na coisa. Quer dizer, eu falo muitos deles, mas porque acho que algumas ocasiões merecem um sonoro "filadap%*a!" ou "p*†aqueopariu!"

Já outras pessoas falam como se fosse um desafio à ordem estabelecida ou uma rebelião contra os bons costumes. Pode ver como crianças de 12 ou 13 anos a-do-ram xingar à toa, só para rir, quando estão entre amigos.

Quando eu tinha essa idade, notava que meus coleguinhas amavam cantar "Faroeste Caboclo" e "Bichos Escrotos". E sempre falavam mais alto e com mais convicção os trechos das tais músicas que continham as palavras, por assim dizer, de baixo calão, habilmente substituídas pela rádio Transamérica, no caso de "Faroeste", por "olha para cá, filha da trans o quê?" e "fica aí atrás da mesa com o piii na mão".

É um pudor curioso, esse. Se não fosse, as letras com trocadilhos não fariam tanto sucesso. Nem o clássico ginasial do jererê-jererê-LSD (quem lembra dessa, repetida à exaustão nos ônibus de excursão?).

Certa feita, há uns bons pares de anos, meu pai chegou em casa com mais uma das muitas fitas "alternativas" que ele comprava numa loja especializada no assunto (pensa que pirataria é de hoje, meu filho?). Essa trazia a curiosa inscrição "Forró de Malícia" na capinha xerocada.

Pronto! Eu só queria ouvir a tal fita. Chorava de rir com as letras "Talco no Salão", "Quero Ver Cuba Lançar" e "A Velha Debaixo da Cama", se não me engano dos Trapalhões, com a história de uma senhora que criava um monte de bichos (de bodes a jegues) debaixo da cama. Na verdade, só compreendi do que tratava essa última com a ajuda da minha mãe.

Isso sem falar na clássica "Julieta", com aquele monte de rimas que acabam não sendo ("eu tenho uma prima que se chama Marieta, ela tem as pernas abertas, dá para ver a... etiqueta!"). Ok, confesso, também sou uma vítima desse senso de humor pueril, que vê graça nesse tipo de coisa. Mas ainda não estou no nível do Joey, de "Friends", que riu todas as vezes que Ross disse "homo erectus" em sua palestra na convenção de paleontologistas, no season finale da nona temporada da sitcom.

Clara McFly às 07:27 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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