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Convite para um universo estranho Demorou, mas chegou. Após ser exibido em raras sessões aqui e acolá durante o ano passado, "A Viagem de Chihiro", vencedor do Oscar de animação, finalmente está tendo o destaque que merece. E merece muito, viu? O maravilhosamente complexo desenho de Hayao Miyazaki faz qualquer um sair da sala de cinema de queixo caído, tamanha a beleza dos traços e do roteiro. Só digo uma coisa: o último que assistir é mulher do padre. Não demora mais do que cinco minutos para o espectador notar que ele é bem mais infantil do que o outro ilustre longa-metragem japonês de animação, "Akira". Porém, a história da menininha que fica presa em um universo paralelo repleto de deuses estranhos, feiticeiras idosas e criaturas falantes está longe de ser um conto de fadas. Como seu primo famoso, "A Viagem de Chihiro" tem passagens bem assustadoras - mas o conjunto da obra é simplesmente adorável. Chihiro está de mudança com os pais para uma outra cidade. No caminho da casa nova, eles se perdem e vão de encontro a uma passagem parecida com um templo. Enquanto os dois adultos devoram uma comida que encontraram por ali, erroneamente achando tratar-se de um restaurante, a pequena sai para vasculhar os arredores. De repente, ela dá de cara com um jovem, que ordena sua saída. É tarde demais, e Chihiro fica trancafiada no mundo dos espíritos, onde quase tudo é apavorante - inclusive seus pais, transformados em porcos. A partir daí, nossos olhos são surpreendidos por um desfile de situações bizarras que só vão ter fim quando o filme acabar e as luzes do cinema se acenderem. O mais legal de tudo é que o desenho é totalmente tradicional. Não apenas pelos traços - olhos grandes e brilhantes, cabelos em forma de cacho de banana e bichos fofinhos -, mas pela mitologia japonesa que é apresentada. Meus conhecimentos da cultura oriental vão um pouco além de origami, sushi e kimono, e ainda assim preciso revê-lo umas dez vezes para reparar em cada detalhe. Um primor. E por falar em situações bizarras... Poucos segundos antes do filme começar, enquanto procurávamos desesperados por um lugar decente na platéia, alguém estranho me reconheceu. Sério. O garoto (acho que era garoto, a sala estava escura e eu estava confusa), disse para um outro algo como "ei, aquela é uma garota-que-diz-ni". E eu ouvi. E eu virei para olhar. E eu quase me enfiei debaixo da poltrona de vergonha. Nessa noite não foi apenas Chihiro que viveu momentos de tensão! ![]() Ainda aí? Corra pro cinema, vamos! |
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