quarta-feira, 30 de julho de 2003

Triângulo de corações plásticos

Apesar de eu não ter mesmo nenhum grande episódio de crise familiar registrado, tive que conviver por anos e anos com uma situação pra lá de constrangedora: um triângulo amoroso que rolava intensamente dentro da minha própria casa... de bonecas.

As meninas já devem ter imaginado quem eram os protagonistas. Sim, eles mesmos: uma garota loira e magra como um pardal, um rapagão com tendências guerrilheiras, uma mocinha morena com cara de assustada. Barbie, Falcon e Susi tinham uma relação bem delicada – não só nas minhas brincadeiras, aliás, mas na de toda e qualquer garota do bairro!

No meu tempo, o Ken e o Bob não eram ninguém. Foram criados para namorar a Barbie mas nunca chegaram aos meus domínios devido ao preço dos seus serviços, se é que me entendem. Assim sendo, o Falcon era mesmo o garanhão da área – e tinha essas duas beldades de trejeitos distintos para escolher, ó que mamata.

A divisão era embaraçosa mesmo para os ousados anos 80: nos dias de calor, a bacia de lavar roupa da minha mãe virava piscina das bonecas no quintal, e daí o Falcon namorava a Barbie (loiras ficam irresistíveis no sol, fazer o quê...). Nos dias nublados, a caixa do nosso faqueiro “de visitas” era o cenário de jantares e festas, e daí o barbudão escolhia sair com a Susi (porque morenas são um arraso em traje de gala, yeah!).

Era meio promíscua essa coisa toda? Ah, era. O cara nem era lá tão bonito assim para ter esse cartaz com duas mocinhas tão especiais? Não mesmo. Mas elas não tinham muitas opções – porque namorar o meu Petutinho seria bizarro até no mundo da imaginação –, então qualquer movimento dos “Olhos de Águia” derretia os corações de Barbie e Susi.

A disputa entre os postos de esposa e amante só terminou com um acontecimento fatídico: o Falcon foi convocado para voltar à zona de combate nas fileiras de batalha armadas na casa do meu primo, o real dono do moço. Não teve cena dramática de despedida nem crise de choro, mas
as meninas ficaram chateadas.

Tenho a impressão que a melancolia delas só passou porque angariei fundos por três meses e comprei uma pá de novos vestidos e acessórios na loja de brinquedos. Fúteis, não? Felizmente, para quem dividiu um único namorado, meiar um guarda-roupa foi uma bênção.

Tá decretado!

Preciso deixar aqui registrado um adendo, assim ninguém rouba essa minha fantástica idéia. Quando eu tiver filhos, desejo apenas que eles tenham muita saúde e sejam bonzinhos.

Maaas... espero mesmo que sejam duas meninas, assim elas serão nomeadas Bárbara e Susana. Sacou? Elas vão ser conhecidas como Barbie e Susi!

Genial, não? Não? Ok, vai ver nem precisava registrar uma idéia tão... besta.

Fla Wonka às 02:56 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Flá Wonka
· Vivi Griswold