quarta-feira, 30 de julho de 2003

Quando eu crescer

Ao preencher um formulário com espaço reservado à profissão, coloco em letra caprichada: "jornalista". Bem, é o que eu sou, não? Pelo menos esse é o termo usado naquele diploma da PUC guardado de qualquer jeito em alguma pasta no fundo da gaveta. Mas às vezes me pego com vontade de escrever algo muito mais interessante, tipo "astronauta" ou "domadora de leões" ou "designer de vidro de perfume". Sim, tenho em mim muitas vocações - e algumas delas podem soar bem estranho, a princípio.

Integrante de coro de risadas
Sabe as risadas de séries de comédia? Pois tem gente que é paga para fazê-las. Imagine, ganhar dinheiro em troca de gargalhadas! Eu já faço isso normalmente sem ganhar nem um centavo... E, se pudesse escolher qual o programa, tinha que ser "Chapolin" e "Chaves". Além do riso bobo sair facilmente, o recurso é usado a todo e qualquer momento, inclusive nas piadas sem graça - que tornam-se hilárias extamante por causa disso. E ainda previne o envelhecimento precoce!

Investigadora criminal de seriado norte-americano
Um de meus sonhos secretos é passar luminol em uma sala, fazer cara de séria e falar (com voz grave, se eu conseguir): "positivo para sangue". Sensacional! Deve ser muito divertido ser um C.S.I - eles só se comunicam com frases de efeito, são ótimos em cultura inútil, conseguem humilhar o bandido como ninguém, sabem mexer com um monte de tecnologia do mundo criminal (que só existe no seriado)... Eu quero um crachá daqueles, onde vende?

Agenciadora de modelos
Não sei se esse é o termo certo. Estou me referindo àquelas profissionais que escolhem "os novos rostos do momento". Casting de agência, para ser mais exata. A função é dizer para as aspirantes a top model se existe alguma chance de sucesso. Trocando em miúdos: chegam várias meninas lindas e seu trabalho é botar defeitos nelas! Coisas como "seu nariz é muito grande" ou "você está precisando de academia". É maldoso, eu sei... É que sou maldosa às vezes.

Testadora de brinquedos
Passar o dia numa salinha rodeada por novos brinquedos, sendo que meu trabalho seria... brincar com eles! Mesmo que depois tenha de fazer um monte de relatórios e participar de reuniões da firma, tudo bem! Que diabo de profissão legal. Melhor ainda se, depois de alguma expriência adquirida, pudesse começar a fazer meus próprios brinquedos, colocá-los no mercado e ganhar rios de dinheiro... Eu posso, mamãe? Por favor... Prometo que serei boazinha.

Redatora de programas catástrofe
"Era um dia comum para os habitantes de Fresno, Califórnia, quando de repente uma bola de fogo infernal dos infernos tomou conta das residências como o próprio inferno infenal na Terra". Assim começaria um dos meus textos daqueles programas tipo "Os Vídeos Mais Incríveis do Mundo". Quanto mais pleonasmos, melhor! Poderia participar também de "Caçadas Policiais" e "When Good Times Go Bad", todos exibidos na madrugada de sexta-feira, na sequência.

Dubladora do "Qual é a Música?"
Além de trabalhar para o patrão dos patrões, sêo Silvio Santos, e ainda por cima participar do programa mais legal dos domingos do SBT, uma dubladora não precisa fazer esforço nenhum! Fica lá em cima num palquinho esperando sua vez. Quando ela chega, faz caras e bocas durante cinco segundos e pronto! Tudo isso com um Piu-Piu de purpurina desenhado no rosto, além de ter o Pablo (ou o "novo Pablo") de colega de trabalho. Quem pode querer mais?

Integrante do Garotas
Fazer um site rosa e fofinho, poder escrever qualquer bobagem (a bola é minha e eu brinco como quiser) e ainda receber diariamente dezenas de mensagens cheias de elogios e de histórias engraçadíssimas vindas de leitores bacanas. E saborear isso tudo ao lado de duas amigonas queridas, sempre nos divertindo horrores nas reuniões (que acontecem com mais frequência a cada semana) e vendo alguns frutos dessa empreitada terapêutica e nossa, só nossa.

Que alívio, pelo menos um emprego dos sonhos eu consegui realizar...

Vivi Griswold às 10:07 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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