terça-feira, 29 de julho de 2003

Para eles eu diria sim

A primeira grande paixão da minha vida, até onde minha pobre cabecinha é capaz de alcançar, foi a cigarra da peça "A Cigarra e a Formiga", que minha mãe me levou para assistir quando eu era bem pequena.

Era só um personagem? Era, não vou mentir para você. Mas eu ia lá saber disso à época? Minha mãe foi obrigada a me levar até as coxias para ver que a cigarra não tinha morrido de fome e frio (ô fabulazinha escrota!) e calar meu berreiro.

Na verdade, a cigarra apenas inaugurou a extensa fieira de paixões de papel que eu ainda viria a colecionar. E não adianta argumentar comigo que eles não existem. Eu me apaixono seriamente, até sofro!, e pronto.

Minha paixão de papel seguinte veio com um agravante. Além de não existir no plano real, ele era um cachorro. Falo de Dartagnan, o cãozinho espadachim do desenho do "Clube da Criança". Eu achava o tema da abertura ("Dartagnan, Dartagnan é um valente e forte/Dartagnan, Dartagnan, a enfrentar a morte...") o máximo. E um pouco romântico também.

Depois de um intervalo razoável (que os freudianos chamariam de fase de latência), passei de peças infantis e desenhos à telona do cinema. Caí de amores pelo arqueólogo-arrojado-e-professor-tímido Henry Jones Jr, mais conhecido como Indiana.

Aluguei "Indiana Jones e o Templo da Perdição" e o assisti exatas 17 vezes. Até minha prima não agüentar mais e desmaiar na sala na hora em que aquele fascínora da seita arranca o coração de um pobre prisioneiro.

Passou-se um bom tempo até que eu cheguei aos gibis. E o escolhido foi Gambit, dos X-Men. Remy LeBeau era de charme insuportável para meu coraçãozinho adolescente. Daí minha antipatia por Vampira, que garfou o ladrão mutante nas sagas da HQ.

Quando o filme saiu, mesmo sabendo que Gambit não estaria lá, fui correndo assistir. E o choque: saí da sala completamente apaixonada por Wolverine. Logan nunca me chamara atenção nas folhas da HQ, mas a personificação do mutante violento-mas-bonzinho feita por Hugh Jackman me deixou passada.

Ainda tenho umas cosquinhas quando vejo o bonitão das garras de adamantium no vídeo ou na continuação de "X-Men". Mas agora meu coração pertence a outro, também do mundo das telas: Aragorn, o humano herdeiro do trono de "O Senhor dos Anéis".

O gozado é que o ator, Viggo Mortensen, é o tipo de cara para o qual eu nem olharia, nem que o moço estivesse fazendo micagens no carro ao lado. Mas o que é aquele personagem, que personifica tudo que há de melhor num homem: sinceridade, fidelidade aos companheiros e aos seus ideais e coragem, com um toque de barba mal-feita e cabelos desgrenhados?

Se esse não é o sonho de consumo de qualquer mulher, então eu não sei o que é sonho de consumo. Ou o que é mulher. Se bem que o que sei eu? Aos 25 anos, ainda sou uma pobre vítima das paixões de papel...


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Tem juiz de paz na Terra Média?

Clara McFly às 06:08 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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