segunda-feira, 28 de julho de 2003

Garota de fases

Minha mãe e meu pai são dois humanos muito doces, sapientíssimos e democráticos. (Quase) sempre eles deixaram que eu escolhesse o que queria da vida sem ditar regras. Nem furaram as minhas orelhas quando eu era bebê, olha só! Deixaram que eu escolhesse até se queria ou não perfurar meu próprio corpo!

O bom é que eles me deixaram fazer muitas opções, mas não tantas que chegassem a arruinar o futuro. Se tivessem deixado eu escolher meu nome e estilo de vida em cada fase do crescimento, por exemplo, já teríamos virado matéria do Fantástico. Excesso de liberdade atrapalha, sabem como é.

Acontece que a evolução humana é notória com o passar dos anos. Ainda bem, ou eu ainda estaria usando saias balonê, polainas e óculos de armação acrílica azul. Tudo ao mesmo tempo! Se mamãe e papai não tivessem me botado no caminho certo, aliás, eu podia ter tido a trágica idéia de parar em alguma das seguintes fases:

Desde os 5 anos eu teria optado por...
...me chamar Gigi, andar pela rua usando saia de tule e touca de banho e ser uma corajosa bombeira.

Desde os 10 anos eu teria optado por...
...me chamar Virginie, sair de casa usando macacão com cinto e cabelo arrepiado na frente e ser aeromoça.

Desde os 15 anos eu teria optado por...
...me chamar Brisa ou Estrela, vestir apenas roupas feitas manualmente de algodão e ser professora de geografia – num colégio estadual do litoral.

Desde os 20 anos eu teria optado por...
...me chamar Poliana Jones, usar calça jeans e camiseta branca todos os dias do ano e ser repórter do caderno de Cidades do Estadão.

Desde os 25 anos eu teria optado por...
...me chamar Flávia, usar o que desse na telha sem me preocupar com o que os outros iam dizer e ser jornalista que escreve sobre amenidades sem crise de consciência. Hum, acho que foi nessa fase que papai e mamãe pararam de me dar diretrizes. Viu como deixar a escolha pros filhos é uma boa política?

Fla Wonka às 02:01 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold