quarta-feira, 23 de julho de 2003

Terras inventiis

Eu tenho uma leve desconfiança de que o Suriname não existe. Tá, eu sei que dizer isso assim, a seco, dá pontos para as pessoas que acreditam que eu não bato lá muito bem.

Mas vamos aos fatos: alguém aí fora já viajou para o Suriname? Alguém já viu fotos do Suriname? Alguém se lembra de alguma notícia ou fato importante acontecido no Suriname?

Das duas, uma: ou não acontece nada lá ou o pedaço de terra que, dizem os mapas, está compreendido entre a Guiana e a Guiana Francesa não existe mesmo.

Se você chegar ali no Pará e for subindo em direção ao norte, aposto que há de topar direto com o Oceano Atlântico.

Tudo bem que também não se ouve dizer muita coisa do Uruguai, por exemplo. Mas a gente sabe que ele existe: tem seleção de futebol e até já ganhou do escrete canarinho numa humilhante final de Copa do Mundo.

Qual não foi minha surpresa ao encontrar, então, uma notícia de que o presidente do Suriname estava no Brasil! Por um instante, acreditei na existência do país.

Mas logo percebi que era uma pista falsa: o nome do cara é Runaldo Ronald Venetiaan (?!). Se isso não soa como um nome inventado para você, é porque sua graça deve ser Art Vandelay. Ou Wylla Orvalho.

Após extensa pesquisa para determinar se o Suriname existe ou não, descobri que um famoso jogador do Milan, Seedorf, diz ter nascido lá.

Mas até aí, eu posso dizer que nasci em Xangri-La. Ou em qualquer um dos países que eu inventava quando era menor, depois de ter lido "O Menino Maluquinho".

Aliás, vai ver foi essa a origem do país. Algum arqueólogo encontrou um mapa feito por mim ou por qualquer outra criança que pegou essa mania de inventar terras, florestas e relevos generalizados depois de ler o livro.

Ninguém se dispôs a ir até lá checar, ficou o dito pelo não dito e assim surgiu o Suriname. E não só o Suriname, mas também Cesário Lange (?!) e Walla Walla (onde diz ter nascido Adam West, o inesquecível Batman-Barrigudo).

Clara McFly às 07:22 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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