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Quem liga pras meninas do Leblon? Desde os bancos escolares eu sofro de uma síndrome: sou apaixonada por meninos de óculos. Na verdade, acho que qualquer pessoa fica bem atrás desse acessório desprezado – mas que, pra mim, dá um charme danado e ainda evita que a gente tenha que passar por aquele sórdido processo de enfiar meia mão no globo ocular acomodando lentes de contato. Quem sofre com seus mais de cinco graus de miopia tem razão de optar pelas tais plaquinhas molengas ou pela cirurgia mesmo, tudo bem. Mas que usar óculos é muito mais bacana do que agüentar aquele processo quase cirúrgico que envolve soro e pedaços de plástico gelatinoso, lá isso é. Quando nosso querido Herbert canta “se eu tô alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem/ mas se eu tô triste eu tiro os óculos e não vejo ninguém”, me sinto em casa. E as “meninas do Leblon”, que não olham mais para ele, que se lasquem. Devem ser umas chatas mesmo. É isso aí: os aros não me servem só para ver melhor, mas também como disfarce. Já contei que sou envergonhada por natureza. Então, quando eu sei que vou passar por uma situação embaraçosa ou que vai me deixar nervosa além da conta, ajeito meus óculos no rosto e pronto! É como se eu estivesse usando o uniforme do Batman. Além de tudo, como disse, todo garoto pelo qual eu já senti uma queda era da turma dos “quatro olhos”. O que eu amo hoje, por sinal, também é do time. E como fica fofo... Parece o Harry Potter em tamanho grande. Aliás, bela lembrança: preciso dizer que o bruxo-mirim que virou blockbuster possui a função social de desmistificar o uso dos óculos. Se antes eles eram o passaporte para apanhar todo dia dos moleques maus na escola, hoje, com Mr. Potter fazendo sucesso, criança que usa essa coisa é bem melhor vista (com o perdão do trocadilho). Foi o que ouvi falar, pelo menos. Mas vai ver isso também é um cenário que eu pintei nas lentes dos meus queridos óculos. ![]() Por trás de toda lente bate um coração, né, Harry? |
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