segunda-feira, 21 de julho de 2003

Eu queria tanto um…

Quando o assunto cai em brinquedos da infância, tem três itens clássicos dos anos 80 cuja falta me deixa realmente frustrada. Sim, porque eu brincava com as tais peças nas casas de primos, vizinhos e amigos, mas não tinha os meus próprios.

Os objetos do desejo em questão eram o Pogobol, o Jogo da Vida e o Atari.

Confesso que nunca fui muito boa em pular com aquela bolota separada por um disco, justamente porque não tinha como praticar!

Só brincava com Pogobol nas festas infantis, onde invariavelmente havia uma ou mais crianças com o reluzente apetrecho e a trilha sonora oscilava entre "Hey Mickey" e "Superfantástico".

Com o Jogo da Vida era pior ainda: o tabuleiro reluzente e os carrinhos coloridos, com aqueles pininhos cabeçudos (azuis para meninos e rosa para meninas), só caíam em minha ávidas mãos infantis nas férias de verão -- o proprietário do jogo era meu primo, que morava em Bertioga.

Não é de se espantar que eu era a a principal fedelha a insistir que escolhêssemos a brincadeira (em que você podia virar médico, advogado ou professor) todas as tardes de chuva, quando não tínhamos nada para fazer. Eu tinha de aproveitar enquanto a caixa e a roletinha colorida estavam lá, oras!

Por fim, ao Atari, um verdadeiro cult da década de 80, eu só tinha acesso na casa do vizinho da minha avó, meu amiguinho Mauri.

Meus favoritos eram o Enduro e o Pacman. Talvez ele só tivesse os dois cartuchos, pois por mais que me esforce para lembrar, só consigo ver esse par de jogos na telinha daquela Telefunken…

Passados os anos, vejo que me diverti com os brinquedos dos outros e isso não foi problema algum. Afinal, eu não era daquelas crianças que se jogavam no chão e esperneavam gritando "eu quero, eu quero, eu quero!". O jeito foi, então, aprender a dividir.

E, tirando a ocasião em que enfiei um compasso no braço de uma coleguinha que não queria me deixar pular com o Pogobol dela, tudo acabou dando certo.

E você, me emprestaria seus brinquedos? Nem se eu estivesse com um compasso na mão?

Clara McFly às 04:08 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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