quinta-feira, 17 de julho de 2003

Amiguinhos para 7 vidas

Já andei confessando por aqui a minha paixão por gatos. Tenho alguns (sim, no plural - e bota plural nisso) e me refiro a eles como o sêo Silvio Santos se refere às filhas: tenho meu gato número um, número dois, número três... e por aí vai. Sei que o gosto geral da população é por cachorros, que são chamados de fiéis, enquanto gatos são tratados como egoístas e indiferentes. O pior é que a TV e o cinema não fazem nadinha para tentar quebrar o mito - e pior ainda, botam mais lenha na fogueira.

Como também já tive cachorros, posso falar com certa propriedade. Experimentei os dois lados, no bom sentido, e escolhi os gatos conscientemente - por dezenas de motivos. Claro que isso é uma preferência de cada um, e eu sou realmente contra aquela briguinha para saber qual é melhor ou qual é pior, como se os dois não fossem igualmente necessários para fazer alguém feliz.

Nos desenhos animados o gato só leva. Ele é um bicho burro, lento e ferrado na vida, que é passado para trás por um canário cabeçudo (no caso do Frajola e Piu-Piu) ou por um camundongo irritante (no caso de Tom & Jerry). Como é que os dois felinos NUNCA conseguem pegar suas presas? Quem tem gato em casa sabe que eles capturam uma mosca no ar com as duas patinhas. Não entendo o que esses desenhos têm contra os bichanos.

No cinema não é diferente. O caso mais recente foi o filme "Como Cães e Gatos". Fui assistir sabendo que ia me zangar. Os cachorros eram nobres e bondosos e inteligentes, enquano os gatos era maléficos e estúpidos e manipuladores. Para piorar, o chefe da quadrilha era igualzinho a meu Theo. Grrrrr. Realmente não encontro motivo, uma vez que nunca ouvi falar de gato que avança nas pessoas na rua, ou gato que é treinado para virar uma arma, ou gato que ataca crianças que tentam invadir seu quintal.

Se tem uma coisa que me tira do sério é ouvir gente falando que esses animais "gostam da casa, e não do dono", ou que eles são interesseiros e frios. Falem isso para a minha gata número... deixa eu pensar... quatro, uma princesa chamada Sofia, que eu peguei pequenina, magricela e abandonada na rua. Hoje ela é a gata mais linda e adorável do mundo todo (não é corujice) e não desgruda de mim nem um segundo - agora, por exemplo, está enrolada no meu colo enquanto escrevo esse texto.

Se vou ao banheiro, lá está Sofia na porta esperando pacientemente - mas se eu demoro muito, a fofa perde as estribeiras e começa a arranhar a porta. Se fico na cama assistindo TV, ela pula e se ajeita do meu lado. Se levanto para buscar algo, ela acorda e me segue onde eu for. Se eu chego em casa, ela é a primeirona a me receber - antes mesmo de eu pegar a chave na bolsa. Existem quatro seres humanos aqui em casa, e ela só faz isso comigo. Será que a Sofia é egoísta e indiferente? Hmm, acho que não.

sofia.gif
Esse foi para você, querida
Vivi Griswold às 09:07 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold