terça-feira, 15 de julho de 2003

Que rolem os dados!

Tenho que agradecer aos céus todas as noites por não ter nascido em Las Vegas. Sim, porque do jeito que sou apaixonada por jogos de mesa, em poucos anos eu ia me tornar aquelas tias que usam abrigo, viseira e passam horas e horas beijando os dados e urrando “vamos, querido, dê sorte para a mamãe aqui!”

Seja de tabuleiro, de cartas, da Grow, de desenhos tortos feitos em folhas de caderno, eu adoro jogos. Em último caso, se o dia estiver chuvoso e a tv pifar, eu aceito até uma partida de damas, essa peleja chata de doer.

Quando eu era pequenina, jogar Ludo com meu irmão era como disputar uma final de campeonato em pleno Morumbi lotado. Minha técnica consistia em fazer “a minhoquinha”, quando se tira todas as quatro peças da casa para dar a volta no tabuleiro ao mesmo tempo, em fila. Aparentemente demorava mais, mas com um bocadinho de sorte ficava fácil colocar todos os peões no centro e vencer de lavada.

Depois eu ganhei idade e pude me dedicar a joguinhos mais elaborados, como Imagem e Ação, Banco Imobiliário e Master. No primeiro eu perdia sempre porque ficava tentando fazer desenhos bonitos, em vez de criar rapidinho um garrancho simbólico.

Pelo segundo eu desinteressei logo porque percebi que era coisa de mercenário – e ter uma Companhia de Navegação e um hotel na Avenida Atlântica nunca foi meu objetivo de vida. Agora, no terceiro, eu era (ainda sou, modéstia às favas) boa pacas. Desafio qualquer um aí a jogar uma partida de Master para provar. E se eu pegar o tema Geografia, daí é que ninguém me segura!

Dois dos meus preferidos até hoje são Detetive e War. Fico até em dúvida sobre qual deles é o melhor... No War, bom mesmo era dar um tabefe "sem querer" no tabuleiro quando eu começava a perder feio. Os amigos ficam bravos? Todo mundo odeia jogar War comigo? Sim, sim. Hilário.

No Detetive eu adorava a hora decisiva de dizer “Foi a vagabunda da Senhorita Rosa, na mofada Sala de Música, com a porcaria da corda!” Essa era minha maneira de dar o nome do assassino e manter a revelação engraçada e violenta. Quem disse que jogo não ajuda na criatividade juvenil?

tirinha menor 2.jpg
Essa turma é minha conhecida... Olá, Coronel Mostarda!


Fla Wonka às 02:57 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold