segunda-feira, 14 de julho de 2003

Morre ou não morre, auditório?

Impossível deixar passar em branco aqui o assunto da semana (passada, é verdade). Sêo Silvio, o homem, o mito, disse a uma repórter da revista Contigo! que estava à beira da morte.

Quer dizer, beira, beira mesmo, não. Segundo o Homem do Baú, ele ainda teria no máximo até seis anos de vida, por conta de um problema de coração.

Suas declarações hilárias não pararam por aí. Ele também falou que tinha vendido o Sistema Brasileiro (Pero No Mucho) de Televisão para a Televisa, emissora do México, e para o Boni – sim, o ex-todo-poderoso da Globo.

A mídia ficou perplexa, os diretores do SBT tiveram suas linhas telefônicas entupidas e eu corri para gravar "Chaves" e "Chapolin" (vai que o Boni tira do ar).

Enquanto isso, Sêo Silvio, em Celebration (cidade-modelo na Flórida, que deve ser tão surreal quanto ele), gozava seu feito. O tiozinho mais véio-de-guerra da TV tipo esculacho conseguiu, numa só tacada, quebrar alguns recordes:

- deixar o trabalho de anos do Ivo Holanda no chinelo, pregando a maior pegadinha de todos os tempos;

- aumentar a audiência daqueles sofríveis programas vespertinos, como "O Melhor da Tarde", "Brasil Urgente", "A Casa É Sua" e "TV Fama", que se dedicaram a ler a reportagem no ar;

- promover o maior monopólio de manchetes, de todas as mídias possíveis e imagináveis, do qual eu me lembro, desde o 11 de Setembro ou o seqüestro primeiro da filha dele, depois dele próprio (o que veio primeiro, mesmo?)

- criar a doença mais engraçada de que se tem notícia, o tal Ataque do Coração em Seis Anos – na gravação da entrevista, Silvio sacou dessa: disse que o nome de sua doença era (abre aspas) Ataque do Coração em Seis Anos (fecha aspas).

As reações do pessoal foram das mais diversas. Boni desmentiu e disse que ia pechinchar se fosse comprar o SBT. Lombardi disse que era tudo mentira, já que o Patrão tem gravação marcada para o dia 22. Os diretores do SBT correram para avisar os anunciantes do canal que Silvio estava só brincando. Colunistas malharam Senor Abravanel pela brincadeira inconseqüente e de mau gosto. A Contigo! vendeu mais revistas do que de costume.

E eu cheguei a duas conclusões, depois de escutar a gravação da entrevista, que foi feita por telefone, na íntegra: primeiro, é uma das coisas mais hilárias que já ouvi. Segundo, ainda não descartei a hipótese de que quem estava do outro lado da linha era o pessoal do Café com Bobagem ou o Beto Hora. Ou qualquer outro imitador do Silvio, que no Brasil eles existem às pencas. Mas será que em Celebration também?

Clara McFly às 06:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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