sexta-feira, 11 de julho de 2003

Podia ser assim todo dia…

Para o Lou Reed, um dia perfeito consiste basicamente em tomar sangria no parque, só você e alguém especial. É o que ele canta em "A Perfect Day", belo clássico que é uma de suas músicas mais conhecidas .

Para mim, um dia perfeito precisa, em primeiro lugar, ser um sábado; assim, pode conter ao menos cinco dos dez itens abaixo, em qualquer combinação, não necessariamente nessa ordem. E o seu?

- Acordar às 10, sem sono, e com vontade de levantar e sair vivendo.

- Perder meia hora ainda deitada, mas acordada, imaginando criaturas bizarras na sombra da cortina do quarto.

- Passar o dia todo de roupão de toalha e parte dele dublando Beatles, com uma colher de pau à guisa de microfone.

- Assistir "Os Simpsons" quinze para o meio-dia e "Whose Line Is It Anyway" às três e meia.

- Comer nos pratos de visita que ficam guardados na cristaleira. Depois, roubar o vinho das visitas e tomar na taça das visitas. Arrumar tudo bem direitinho, de volta na cristaleira, para sua mãe não perceber.

- Jogar o corpinho entre o sofá e o edredon à tarde, ligar a TV num daqueles programas de bicho do Discovery ou da Cultura e cochilar, com o volume do aparelho bem baixinho.

- Ir até o mercado só para comprar um balão. Encontrar um carrinho de algodão doce no caminho, comprar dois e comer tudo sozinha.

- Armar a cadeira de praia no quintal, levar para lá um café quentinho ou uma limonada gelada e reler trechos de um livro bacana.

- Esperar o namorado buzinar no portão para ir ao cinema assistir a uma comédia romântica. Rabiscar no verso do ingresso meia dúzia de idéias que lhe ocorreram para escrever para o Garotas no caminho de volta.

- Passar na casa de um amigo e falar bobagens em alto e bom som até a madrugada, brigar para pedirem uma pizza sem catupiry e continuar falando bobagens em alto e bom som, ocasionalmente interrompidas por um telefonema do vizinho, comendo brigadeiro de colher.

Clara McFly às 07:15 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold