Existem cantoras e canções dos anos 80 que se confundem no grande recipiente de pudim que é a minha cabeça. Fizeram sucesso um dia – na maioria das vezes, um baita sucesso que durou dois meses –, quase sempre entoando temas de novela. Depois elas caíam no limbo e permaneciam todas como uma única imagem pregada no meu cérebro.
Se eu citar o nome, talvez alguns de vocês (hereges!) fiquem com cara de interrogação. Mas quando eu lembrar da música, daí o rosto do leitor vai se iluminar. E, na seqüência, a tal canção vai agarrar na cabeça como chiclete em cabelo de irmão caçula.
Assim sendo, só passe desse ponto de leitura quem quiser MESMO lembrar dessas moças que, eu ainda acho, devem ser a mesmíssima pessoa, só mudando a peruca, a prótese de nariz e o nome que vai entrar na trilha sonora da novela. Preparados? Depois não digam que não avisei.
Verônica Sabino
Voz de veludo, cabelão, figurinha carimbada no Globo de Ouro. Quando ela cantou “Demais” (lá vai: “Foi um vento que passou/ que te trouxe, que te levou/ Deixando no corpo a marca de um amor/ que ficou no ar/ ilusão luar...”) como tema da Raquel em “Vale Tudo”, não teve pra ninguém. Ah! E o clipe da canção era todo envolto em gelo seco, tecnologia pura.
Rosana
Quem não se lembra da Rosie “Como Uma Deusa”? A moça das bochechas saltadas dominou a década de 80 com seus lançamentos musicais. E que versos ela cantarolava! Eu adoro este: “Nem um toque e eu sonhando, sonhando com você/ Nem um toque e eu querendo/ Dizer muito prazer”. Essa garota sabia interpretar um verdadeiro poema, não?
Zizi Possi
Tudo bem, eu acho de verdade que Dona Izildinha, assim como as outras, tem uma voz maravilhosa. Mas é que sempre que tento me lembrar de um grande sucesso dela me vem na mente a grudenta “Perigo é ver você assim sorrindo/ Isso é muita tentação/ Teus olhos, teu sorriso numa noite/ Piiiiírigo...” Nossa, isso pode passar semanas na minha cabeça, chamem o doutor!
Joanna
O diferencial dessa moça era cantar sobre as maiores e mais espetacularmente depressivas fossas que um humano pode suportar. Com carinha de tia gente boa, Joanna devia sofrer um bocado mandando ver em “Amor Bandido” – “Tudo o que eu podia eu fiz/ Vou tentar de novo ser feliz vou dar um tempo/ Mas eu quero te deixar e não consigo”. Alegre, né?
Jane Duboc
Cante comigo, força: “A luz de um cabaré/ La noche nuestra, o mundo a rodar/ Vem o fogo da paixão nos queimar/ La luna tropical, o som de um bandoneon/ Não me canso de pedir / Besame, Besame mucho mais”. Jane era um poço de sentimento. E bilíngüe (apesar de eu não entender o que diabos seria um “bandoleon”)! Tenho dificuldade de saber quando é ela cantando, quando é a Verônica... Ou a Zizi. Ou a Joanna. São todas a mesma, só pode ser.
Alguém me ajuda, por piedade!
Quando comecei a pensar nesse artigo, me lembrei de uma cantora em especial. Kátia tinha voz e trejeito idêntico ao das citadas acima, com o único diferencial de ser cega. Fiquei desesperada tentando lembrar a música que ela cantava, mas não adiantou. E olha que ela interpretou sucesso de novela também.
Quem puder, me salva de ficar pensando nisso por dias e dias e manda um trechinho da letra? Só não vá confundir com as demais canarinhas dos anos 80, hein?