quinta-feira, 10 de julho de 2003

Com ou sem registro em carteira

Querem saber? Eu não gosto de trabalhar. Faço isso porque é socialmente indicado e porque, óbvio, tenho contas a quitar no fim de cada ciclo lunar. A situação só inverteria se eu conseguisse algum dos meus empregos de sonho. Não vai acontecer, eu sei, mas adoro imaginar coisas na mesma proporção que odeio trabalhar.

São funções para as quais eu não estou apta, não tenho talento ou que simplesmente não disponibilizam vagas assim tão fácil, mas me agarro na ilusão. Pensando bem, não tenho o emprego dos sonhos, mas em compensação morro de alegria de pensar que tem outros trabalhos muito piores. Ô, se tem!


Esses eu toparia por 200 mangos mensais


Backing vocal numa banda 80s
Fora o fato de que não existe máquina do tempo, ainda tenho voz de desenho animado. E não é aquela voz da bruxa má charmosa, é a da Formiga Atômica mesmo. Mesmo assim a-do-ra-ria ficar lá no fundo do palco, fazendo coreografias bobas e soltando apenas um “uuuuu...” ou um “aaaaaa...” para acompanhar o solo de teclado Yamaha.

Guarda florestal de Yellowstone
Não sei, mas pode ter sido influência do desenho do Zé Colméia. Ei, eu gostava do “Seo Gualda”! E do uniforme verde, daquele chapéu idiota, da função de manter a lei e a ordem nas florestas de coníferas. Gosto de pensar que eu seria uma boa guardiã para animais e plantas inocentes (que usem ou não chapéu e gravata).

Motorista de uma velhinha bem rica
Essa idéia roubei da Sabrina, do filme de mesmo nome. Ela dizia que admirava seu pai porque ele decidiu ser motorista para ter tempo de ler. Era isso que eu queria! Por que de uma velhinha rica? Bom, velhinhas ricas saem pouco, e isso ia me dar chance não só de ler, mas de desenhar, podar as plantas, tomar sol, manter o querido Garotas...

Assistente do Tio Steve
Paparicar o Spielberg não deve ser lá um trabalho duro! Não pode, ele tem ar de sujeito agradável. E se eu tiver que cumprir ordens de alguém, buscar café, desmarcar o dentista ou buscar roupa na lavanderia, que seja para o homem que inseriu Indiana Jones na telona, diabos.


Esses eu não pegava nem com salário de 20 mil verdinhas


Advogada de gente culpada
Se eu me colocasse na frente de um juiz e dissesse “Não há provas suficientes para dizer que O.J. Simpson matou sua ex-esposa e o namorado dela”, a platéia ia ter ataque de riso. Minha testa é um letreiro onde tudo o que circula pela minha cabeça é imediatamente registrado. É constrangedor, mas é a minha sina.

Ascensorista de edifícios públicos
Tenho certeza que não há dinheiro no mundo que pague esse trabalho. Ficar o dia todo esmagada no cantinho de uma área de 1 metro X 1 metro com dezenas de estranhos que não dizem “bom dia”, subindo e descendo, subindo e descendo... Isso não é emprego, é castigo.

Operadora de telemarketing
Não é só o problema de eu ser péssima para vender até cheeseburger e refrigerante gelado para pessoas perdidas no Saara. É que não consigo mesmo me imaginar ligando para homens e mulheres que eu não conheço e tentar empurrar assinatura de revistas ruins, jornais reacionários, produtos inúteis. As pessoas já sofrem muito na vida, elas não precisam receber ligações chatas.

Monga de Parque de Diversões
Já pensou? Você sai de casa de manhã, chega ao trabalho, bota seu traje calorento de macaca, entra em cena e tem que aturar uma dúzia de adolescentes gritando, xingando, cuspindo, tentando te agredir. Essa era a minha turma da escola, e eu nunca quero ser a pobre da Monga por causa deles. Nem ganhando em dólar, juro.

Fla Wonka às 02:20 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold