terça-feira, 8 de julho de 2003

Eles querem me desidratar

Não preciso mais esconder esse tipo de coisa, que todo mundo já está careca de saber: sou uma manteiga derretida. Basta um milímetro de emoção e minha garganta embarga, a voz falha e as lagriminhas vêm em bando. Duro é saber que, no cinema, existem estratégias para fazer gente como eu cair no berreiro em segundos. Táticas sujas, mas eficazes.

Acontece em filmes os mais variados. Eu choro com declarações de amor, choro em brigas entre amigos, choro quando animais se acidentam, choro quando o menino bobão ganha a garota, choro quando o Harry Potter é maltratado pelos tios... Ok, apaguem essa última afirmação.

O fato é que existem uns truques bem baixo nível que esse pessoal do cinema usa para nos emocionar. Se você pretende escrever um roteiro, coloque qualquer dessas cenas no script e será chororô garantido.

Reencontros de pais e filhos com lavagem de roupa suja e abraço no final
Não tenho trauma familiar algum, mas esse negócio de superar bloqueios entre parentes de sangue me faz cair em prantos. É por isso que nunca mais deitarei os olhos sobre “Lendas da Paixão”, promessa.

Gente que supera doenças graves ou injustiças sociais
Tenho mesmo intenção de ser defensora dos fracos e oprimidos, então isso me toca. Em “Uma Mente Brilhante” quase tive um surto quando ele ganha canetas dos demais professores em sinal de respeito. Golpe sujo!

Casais que passam poucas e boas mas finalmente acham seu destino
Depois de milhares de horas de sofrimento e desencontro, o clímax: o mocinho encontra a mocinha na multidão, a suspende no ar, beija sua boca e diz que nunca mais quer deixá-la escapar! E eu enxugo meus olhos no lençol.

A morte do coadjuvante mais divertido e companheiro do filme
Pode ser a vovó engraçada, o amigo bobalhão ou o mascote bonitinho. Detesto quando o sidekick é obrigado a bater as botas só para o filme ganhar uns pontos no aspecto da emoção... E me acabo de saudade dele.

Qualquer cena motivada pelo Holocausto
Mesmo que seja sobre uma família que escapa da sanha nazista sem perder membros, sem sofrer muito e sem se separar, ainda assim vai fazer meio mundo chorar. Eu inclusive, que nem sequer pertenço a esse povo. Quer provocar cataratas de lágrimas? Bota o Holocausto na tela.

Fla Wonka às 02:11 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold