sexta-feira, 4 de julho de 2003

Troféu Chewbacca – Primeira Edição

Já não era sem tempo! Depois de conhecermos a família chewbacca em seus versos e títulos, a ponto de tomarmos chazinho com todos os membros do extenso clã e abrirmos a geladeira da casa sem pedir licença, é hora de premiar, em várias categorias, alguns dos mais brilhantes versos do cancioneiro.

B??¥lres delongas, a brincadeira é a seguinte: botei uns papeizinhos numa velha touca de Papai Noel que achei no fundo do armário; sorteei as primeiras categorias que seriam eleitas e contemplei, de memória, as músicas que mais combinavam com os critérios definidos pelos papéis do sorteio.

Vocês podem brincar também. É só mandar um e-mail com quais seriam as suas escolhas para as honrosas categorias que estão bem aí embaixo. Afinal, para quê serve a internet senão trocar bytes de informação absolutamente desnecessária e insuportavelmente divertida?

Os eleitos

Prêmio ‘Vai um dicionário aí, amigo?’ – Planta e Raiz, com Com Certeza: "...sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira"
"Sentindo a sensação"? Agora só falta eles filmarem um filme, jogarem o jogo, lutarem a luta e pararem de pensar pensamentos bobos.

Prêmio ‘Aperta que cabe!’ – Belchior, com Apenas um Rapaz Latino-Americano: "Eu sou apenas um rapaz latino- americano- sem- dinheiro- no- banco- sem- parentes- importantes- e- vindo- do- interior"
Cabiam umas três sílabas no arranjo. Mas acho que ele ficou meio assim de refazer toda a música só para encaixar umas palavrinhas a mais... Ó no que deu.

Prêmio ‘A gente podia passar sem essa...’ ou, como dizia minha avó, ‘É melhor ouvir isso que ser surda’ – Engenheiros do Havaí, com Piano Bar: "Diga a verdade, doa a quem doer/ Doe sangue/ E me dê seu telefone"
Ah ah ah ah ah ah ah! Ai, ai… Ops. Era para ser uma música séria? Desculpe. Achei que era um campeonato de trocadilhos infames.

Prêmio ‘Ai, que vergonha!’ - Biquíni Cavadão, com Vento Ventania: "Vento ventania, me leve para as portas do céu, pois vou puxar as barbas de Deus"
Sabe aqueles programas que dá vergonha assistir? Pois também há músicas que dá vergonha cantar. Esse verso é o que mais me constrange.

Prêmio ‘Arruma uma rima, rápido!’ – Replicantes, com Surfista Calhorda: "Ah! Mas quando entra n'água/ Ah! Na primeira braçada/Ele não vale uma naba!"
Eu conheço "ele não vale uma pataca", "ele não vale bulhufas", "ele não vale nada". Mas alguém já ouviu a expressão "ele não vale uma naba"?

Prêmio ‘Ficou estranha, esta construção...’ – Capital Inicial, com Natasha: "E os pneus de carro cantam tchururururu tchururu..."
Ficou com duplo sentido, embora a segunda interpretação (a minha, no caso) seja um tanto quanto surreal... Toda vez que ouço a música, imagino os pneus, abraçadinhos uns aos outros com isqueiros na mão, cantando em coro: "tchurururu-tchururu".

Prêmio ‘Mentira tem perna curta’ – Kurt Cobain, com Come as You Are: "No, I don’t have a gun" (‘Não, eu não tenho uma arma’)
Ah, meu filho, ô se tem! Se não tivesse, provavelmente nós estaríamos ouvindo agora o décimo-quinto álbum do Nirvana…

Clara McFly às 06:45 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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