quinta-feira, 3 de julho de 2003

Ele, o Garra!

Eu adoro ter primos e irmãos mais novos. Eles me permitem ir ao cinema assistir a um dos meus gêneros favoritos, os longas animados, com uma desculpa a tiracolo para os mais chatos, que acham que isso é "coisa para criança".

Adoro todos e poderia passar parágrafos e parágrafos falando destas criaturas mágicas de papel, tinta e um tanto quanto de senso de humor e criatividade.

A Disney detinha, até há pouco, a coroa incontestável do ramo, mesmo fazendo desenhos infantis supostamente ingênuos e leves, mas onde invariavelmente a mãe ou o pai do protagonista morria caçado ou pisoteado. Isso lá é infantil?

Da firma do tio Walt (não vale as que a Pixar fez para eles!), meus favoritos são "Lilo e Stitch" e "O Rei Leão". Tudo bem que, no segundo, o pai dele morre, e isso não é nada cor-de-rosa. Mas a saga de Simba tinha momentos hilariantes, graças à melhor dupla que já vi brotar numa prancheta: Timão e Pumba.

A seqüência em que os dois dançavam a ula do toicinho para distrair os leões ganhou muitas reprises aqui em casa, até cansar os botões de Stop, Rewind e Play do controle do vídeo.

"Lilo e Stitch" não fica atrás. Primeiro, porque imediatamente eu quis ser aquela garotinha, que tinha uma boneca assustadora feita por ela mesma, colecionava fotos de turistas gordos e acreditava que um peixinho chamado Fofucho controlava o clima.

Isso sem contar que ela era fã do Elvis e dublava "Heartbreak Hotel" dramaticamente, deitada no chão da sala. A petiz merece ou não todo nosso respeito e admiração? Agora, imaginem vocês quantas vezes eu não dublei a Lilo, mesmo morando na fria São Bernardo, de clima diametralmente oposto ao do doce Hawaii...

Na categoria coadjuvantes-que-roubam-a-cena, ainda no mundo das animações, tô com os etezinhos de Toy Story e não abro. Lembra deles? Impossível esquecer. Os alienzinhos de borracha viviam numa máquina daquelas de pegar brinquedos, manja?

Eles eram todos calminhos, ingênuos e místicos. Chorei de rir com a cena em que Buzz Lightyear cai dentro da máquina e pergunta para aquela multidão de bonequinhos verdes, cada qual com seus três olhinhos: "Quem está no comando aqui?" Ao que todos respondem em coro, apontando para cima, bem respeitosos e exclamativos: "Ele, o Garra!"

Os pobres acreditavam que a garra metálica da máquina, operada por qualquer criança que ali tivesse a boa vontade de depositar uma ficha, fosse uma força superior capaz de escolher um deles, de tempos em tempos, para mandá-los "para um lugar melhor".

Antes que vocês perguntem "e Shrek? E A Era do Gelo? E Monstros SA?", já digo que estes ficam para uma outra vez. Quem sabe quando o Garra! (a exclamação está inclusa no nome) pinçá-los de meu baú de memórias e soltá-los nas pontas dos meus dedos que tamborilam o teclado...

Clara McFly às 07:23 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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