quinta-feira, 3 de julho de 2003

Ao menos um herói vivo

Desde que sofri uma tremenda decepção com um ídolo que eu tinha deixei de cultuar pessoas vivas. Agora só me inspiro em escritores, exploradores e outra gente de valor que resida há palmos e palmos sob a terra – e algumas que ainda circulam por aqui, mas não admito a tietagem para não azarar a relação. Tem apenas um homem prestes a burlar essa regra: Michael Moore.

Vivi falou dele há tempos, quando foi lançado nos cinemas seu excelente "Tiros em Columbine". O filme ficou famoso por arrebentar com os otários que usam, aprovam e propagandeiam armas de fogo, mas também apresenta um retrato fiel sobre o estilo de rege a vida de meio mundo hoje, baseado em ter medo de tudo e de todos.

Vi no cinema e fiquei perturbada. Aquele sujeito gorducho com cara de americano devorador de BigMacs me fez pensar demais. Nem doeu muito, não, mas fiquei curiosa para saber mais sobre ele (além do fato do moço não perder a menor oportunidade de detonar o Governo Bush, o que por si só já faz meus olhinhos brilharem).

Daí soube do lançamento do livro do Sr. Moore aqui no Brasil. Ele começou a escrever "Stupid White Men" logo depois das últimas eleições roubadas para a presidência dos States e terminou pouco antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 ao WTC. Gente, que primor.

O melhor sobre esse cidadão é que ele não fica escondendo as opiniões ácidas que têm sobre qualquer lirismo. Michael arregaça as mangas, afia a língua e simplesmente destrói aquela parcela podre da sociedade que exclui principalmente pobres e negros. E ele usa os argumentos de forma tão, mas tão engraçada, que fica impossível não se envolver com o negócio todo.

Quer saber um jeito bom de contar como Michael Moore está virando um semi-deus no meu coração? Botar aqui algumas palavras dele mesmo:

"As filhas de Bush podem bater qualquer russo em bebida e esperteza".

"Sou cidadão dos Estados Unidos da América. Nosso governo foi deposto. Nosso presidente eleito foi exilado. Homens brancos idosos brandindo martinis e usando colarinhos postiços tomaram a capital de nossa nação".

"Hoje é mais fácil se meter dentro de um pacote da Fedex para chegar do outro lado da cidade do que ir de carro".

“Nunca fui atacado por um negro, nunca fui despejado por um negro, nunca tive um senhorio negro, negro algum jamais negou à minha filha inscrição na faculdade, negro algum jamais vomitou em mim num show do Mötley Crue, nunca um policial negro parou meu carro. [...] Todas as palavras cruéis, todos os atos cruéis, toda a dor e sofrimento da minha vida têm um rosto caucasiano pregado neles”.

Fla Wonka às 02:16 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold