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Pé de pato, mangalô, três vezes Segundo meu avô, não tinha nada melhor para acabar com dor de cabeça que um chocalho de cobra cascavel sobre a testa. Era só botar esta parte da anatomia do réptil ali, que sarava. Ácido acetilsalicílico, que nada! Já minha avó dizia que não prestava ter relógio parado dentro de casa. Sapientíssima, minha querida velhinha sabia até benzer crianças contra olho gordo. E todas as minhas tias usavam um belo e felpudo fiapinho de qualquer coisa vermelha, colada na fronte dos meus priminhos bebês, para sarar o soluço que acometia os pequerruchos. Segundo elas, era tiro e queda. Superstição está naquela lista de assuntos de discussão proibida: futebol, religião, política e preferência sexual. Cada um tem as suas, embora eu ache gozado alguém acreditar que um teco de tecido vermelho colado à testa realmente possa influenciar, de maneira científica, no processo de contração involuntária do diafragma. Ou que não ler jornais ou ver televisão antes do jogo do Timão, como um amigo meu faz – vamos chamá-lo de Dener novamente, para proteger sua identidade – pode dar sorte ao Curíntia em campo e mudar o resultado do embate. A coisa chega até a ser patética, como quando você vê as pessoas desviando das escadas para não passar embaixo, ou pisando três vezes no mesmo lugar e repetindo baixinho "não dou, não dou, não dou; ele é meu, ele é meu, ele é meu!" ao tropeçar na calçada, para não perder o namorado. Mas é como eu disse lá em cima: bunda e superstição, cada um com a sua. Ou algo do tipo. Enfim. Hoje eu fico por aqui, porque sabe como é: dá azar escrever depois das 18:52. E eu vou para o aniversário de uma amiga, tenho de chegar a tempo para adivinhar o lado do bolo que ela vai cortar primeiro, fazer um pedido e cruzar os dedos para acertar! Clara McFly às 08:08 PM |
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